Garoto com doença rara troca hospital por clínica
O menino Luiz Henrique Thibes, 9 anos, seria transferido ontem do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho para a clínica particular Lar do Aconchego, ambos em Curitiba. A criança tem Síndrome de Heller, uma doença rara - existem apenas dois casos no Brasil - que provoca crises convulsivas e hiperatividade. Por medida judicial da Justiça de Londrina, o garoto havia sido internado na terça-feira no hospital, com pacientes adultos. Desde então, estava sedado e amarrado para não provocar os demais pacientes e ser agredido. A mãe da criança, a dona de casa Nair de Oliveira, 44 anos, argumenta que o hospital não é adequado para o tratamento.
Ontem, ela chegou a Curitiba para lutar pela transferência para a clínica. Antes do meio-dia, já havia conseguido outra medida judicial, também da Justiça de Londrina, autorizando a mudança. O internamento na clínica será custeado pelo Estado. Consegui porque o caso foi para a imprensa, disse ela.
O presidente do Instituto de Ação Social, ligado a Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família, Aloisio Pacheco, disse não entender a posição da mãe. Não entendi por que a mãe procurou a imprensa se a criança está recebendo todo o tratamento, disse. Segundo ele, a transferência havia sido decidida anteontem à tarde.
O diretor clínico do hospital, João Carlos Scalzo, também mostrou-se surpreso. O menino veio para cá com diagnóstico do Hospital Pequeno Príncipe. Quando a agitação diminuir, permitindo o convívio com a família, ele será liberado, afirmou.
Durante entrevista coletiva, ontem, Nair disse que um funcionário do hospital havia ligado para ela na quarta-feira. Ele disse que lá não era local adequado para o menino, revelou. Segundo ela, Luiz precisa de espaço, exercícios e tratamento fonoaudiológico. Ao invés disso, estava preso.
Conforme Nair, as únicas palavras que a criança aprendeu a falar são papai, mamãe e tchau. Ele tenta se comunicar, não consegue e fica irritado, contou.
Luiz Henrique começou a apresentar sinais da doença quando tinha um ano. Durante oito anos foi tratado por vários médicos - todos acreditavam que o problema era mental. A mãe acredita que houve negligência. Eles jamais realizaram exame de sangue para detectar a doença, disse. Para ela, isso atrasou o tratamento e agravou as lesões.





