Garoto assume assassinato de cônsul
CONFISSÃO Garoto assume assassinato de cônsul Durante a reconstituição do crime, o garoto de programa Walter Soares confessou ter matado o cônsul de Portugal José SuassunaCHAPEUWalter Machado Soares (de camiseta branca) assumiu ter sido o autor da morte do cônsul de Portugal, Miguel José Fawor. O outro garoto de programa, Carlos Rodrigo Pereira Fraga, também participou da reconstituição realizada ontem e poderá ser indiciado por ocultação de cadáver Luciana Pombo De Curitiba O garoto de programa Walter Machado Soares, de 25 anos, assumiu ontem durante a reconstituição do assassinato do cônsul de Portugal, Miguel José Fawor, de 42 anos a autoria isolada do crime. Quando foi preso, ele confessou o assassinato, mas disse que seu colega, Carlos Rodrigo Pereira Fraga, de 25 anos, tinha participado do assassinato. Eu não queria ficar sozinho na cadeia, declarou ele. A reconstituição da noite do crime durou cerca de duas horas e meia. Todos os detalhes foram dados pelos dois garotos de programa para os delegados e investigadores da Delegacia de Homicídios e para duas peritas do Instituto de Criminalísta. Walter Soares, conhecido como Marcos, disse que não teve a intenção de matar o cônsul. Ele teria ficado irritado com o cônsul na hora do pagamento do combinado. Ele ficou de me pagar R$ 80,00 e só me deu R$ 20,00. Isto já havia acontecido antes, no primeiro encontro. Eu já vim para cá com um pé atrás contra ele, justificou. Durante a briga entre os dois, Carlos Rodrigo Fraga teria permanecido na sala. Só subi quando ouvi os gritos do Marcos que estava desesperado. Quando subi ele já havia colocado uma toca na cabeça do cônsul e estava amarrando as mãos dele para trás. Eu não acreditei e fiquei desesperado, disse Fraga, que negava desde o início participação no assassinato do cônsul. O que eu fiz foi ajudar a esconder o corpo. Eu fiquei com medo. Estava desesperado, alegou. Os dois teriam levado o corpo do cônsul para o carro e colocado no porta-malas. Ele ainda respirava mesmo depois que dei com o halteres na cabeça dele. Não sei se ele morreu da pancada, da asfixia ou da queda na Serra do Mar, afirmou Soares, bastante transtornado. Durante vários momentos da reconstiuição, ele chorou. Eu me assustei, por isto bati nele. Estava irritado. Não tinha a intenção de matar, declarou. O corpo do cônsul foi jogado às margens da BR-277, na Serra do Mar. Ninguém viu nada, fizemos tudo muito rápido, disse ele. O advogado Cesar Augusto Carvalho disse que vai analisar os autos antes de tomar qualquer providência jurídica para solicitar o relaxamento da prisão dos acusados. Acho que cada um deverá cumprir o que o compete. Eu entrarei com todos os recursos possíveis, mas vou depender da boa vontade do Ministério Público e da Justiça, declarou. O delegado Fauze Salmen, titular da Homicídios, disse que a única dúvida que ainda restava no inquérito a participação de Carlos Fraga no assassinato foi desfeita com a reconstituição. Ficou caracterizado que ele não participou do homicídio. Ele poderá ser indiciado por ocultação de cadáver, afirmou. A versão dada na reconstituição bate com o laudo provisório do Instituto Médico Legal (IML) que indica apenas uma pancada com halteres na cabeça. Este inquérito já está praticamente pronto. Só faltam agora os laudos finais da Criminalística e do IML, declarou. A materialização do crime foi confirmada com a anexação de diversos objetos furtados da casa do cônsul no inquérito. Entre eles: relógio, caneta e vidro de perfume.





