Elas são inconfundíveis. Munidas de crachás e pranchetas para registrar o movimento, as garotas aliciadas para pedir doações se sujeitam a uma série de irregularidades. Sem o amparo de garantias sociais básicas, como a assinatura em carteira de trabalho, elas se submetem a jornadas de trabalho que chegam a 7 horas por dia. Um dos pontos de concetração é a Rua XV de Novembro, no centro de Curitiba. Mesmo depois da prisão de três homens acusados de estelionato, ainda era grande o movimento de adolescentes pedindo dinheiro nas calçadas de uma das ruas mais movimentadas da cidade.
Graziele Costa da Silva, 18 anos, revelou que dependendo do que conseguir arrecadar corre o risco de ter ou não o que comer ao meio-dia. Ela começou a trabalhar na segunda-feira pedindo contribuições para a Creche Talita, de Colombo. ‘‘Dependendo da produção, não tenho o que comer’’, afirmou. Aparecida Rodrigues, 35 anos, é diarista, mas sem conseguir emprego está trabalhando para a creche de Colombo desde a segunda-feira.
Joyce Daiana Freitas, 17 anos, e Dulce Araldi, 16 anos, foram surpreendidas com a notícia da prisão de Luiz Agostinho da Silva. Elas começaram a trabalhar para Silva na segunda-feira e ontem estavam sem fazer nada na Rua XV. ‘‘Estava sem emprego há um ano e agora acontece um negócio desses’’, lamentou Joyce. Elizabete Carolina Frediani, 14 anos, afirmou ontem que trabalhava para a Casa do Agasalho, que teve o nome usado indevidamente por Silva. A adolescente disse que as falsas pedintes que trabalhavam para Silva prejudicam quem está fazendo um trabalho idôneo para auxiliar outras pessoas. Em 16 dias de serviço, Elizabete disse que recebeu R$ 55,00 de salário.

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