Garota sem-terra é achada na periferia
Silvana Leão
De Londrina
A garota Lanaíse Oliveira dos Santos, de seis anos, que faz parte do grupo de sem-terra que estava acampado até ontem em frente à agência centro do Banco do Brasil, em Londrina, sumiu no início da tarde de anteontem e foi reencontrada, ontem, pela mãe, Miriam dos Santos. Lanaíse foi encontrada na tarde de segunda-feira por funcionários de uma escola, nas proximidades do Departamento do Trânsito (Detran), zona leste, que teriam informado a Polícia Militar (PM).
O Conselho Tutelar foi notificado e encaminhou a garota para o Lar Anália Franco, onde ela passou a noite. Ontem de manhã os conselheiros tentaram localizar a família da garota para informar das semelhanças entre a criança encontrada e Lanaíse, mas foram informados de que a mãe tinha ido para o assentamento em Ortigueira (113 quilômetros ao sul de Apucarana), onde mora, levar os outros filhos e buscar uma foto da garota.
Miriam dos Santos retornou a Londrina por volta das 15 horas e, acompanhada da conselheira tutelar Marilda Regina Silva e duas pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foi até o Anália Franco conferir se era mesmo a filha que havia sido encontrada. Visivelmente ansiosa, Miriam dos Santos não sabia explicar direito como a garota havia sumido.
Depois do reencontro, comemorado com muitos abraços, a sem-terra, mãe de outros cinco filhos, conseguiu dar mais detalhes do desaparecimento. O almoço estava atrasado e eu resolvi dar leite para as crianças. Estava fazendo isso quando chegou uma pessoa pedindo um pouco de água. Eu me virei para mostrar a ela onde a água estava e, quando voltei, já não vi mais minha filha.
Miriam dos Santos revelou que desconfia de uma mulher de meia-idade que, segundo ela, estaria tentando conquistar as crianças do acampamento. Ela esteve lá duas vezes na manhã de anteontem, fazendo perguntas sobre as crianças. Na terceira vez, chegou a distribuir balas para elas. Pouco tempo depois minha filha sumiu e, depois disso, a mulher não apareceu mais. Mas não posso afirmar se ela teve alguma coisa a ver.
Segundo a sem-terra, o desaparecimento foi muito rápido. Ela fez várias perguntas à filha, tentando descobrir quem a teria levado do acampamento, mas além de tímida, Lanaíse apresenta problemas de fala e não confirmou se foi levada pela mulher. Miriam acha que com o tempo a filha vai lhe contar a história com mais detalhes. Ela não é menina de andar sozinha, disse a mãe, explicando que a família mora há dois anos no assentamento da Fazenda Libertação e quase nunca sai de lá.
O irmão mais velho de Lanaíse, Otoni dos Santos Rocha, de 16 anos, contou que passou a manhã de ontem andando pela cidade procurando a irmã. Logo que saiu do Lar Anália Franco, Miriam dos Santos retirou a queixa que havia feito anteontem na 10ª Subdivisão Policial de Londrina. O caso, porém, vai ser encaminhado para o 1º Distrito Policial, onde será investigado se houve algum tipo de crime. Em caso positivo, a polícia abrirá inquérito.





