BARBOSA FERRAZ - Comoção e revolta marcaram ontem à tarde o enterro da menor Raquel Gomes, de 14 anos, em Barbosa Ferraz (74 quilômetros a leste de Campo Mourão). Ela foi morta com um tiro na cabeça na madrugada de domingo dentro de uma viatura da Polícia Militar. Raquel estava com o soldado Odair Antônio Framesque, 47, quando morreu, por volta das 4 horas de domingo. O soldado levou a viatura com a menor para a delegacia e, depois que amanheceu o dia, se apresentou ao 11º Batalhão da Polícia Militar em Campo Mourão, onde está recolhido.
O delegado de Barbosa Ferraz, Cristiano Yassaka, abriu inquérito policial para investigar o caso e vai ouvir o soldado apenas amanhã. Para os policiais que estavam de plantão na madrugada de domingo, Framesque contou que Raquel se matou com um tiro no ouvido.
Eles tinham acabado de sair de um baile popular no ‘‘Clube do Sap钒, quando, segundo o soldado, Raquel se apoderou do revólver dele e efetuou o disparo. O tiro teria sido dado quando o soldado a levava para casa na viatura da polícia. A menor morava na Vila Operária, um bairro pobre da cidade.
Além da viatura e do corpo da menor, Framesque deixou na delegacia o revólver com que estava trabalhando e cinco balas intactas. O corpo da menor foi encaminhado em seguida para o Instituto Médico-Legal (IML) de Campo Mourão. Ainda no domingo, a viatura foi examinada por especialistas da criminalística de Maringá e liberada em seguida.
Até ontem de manhã, apenas o pai de Raquel, o bóia-fria José Gomes, tinha prestado depoimento na delegacia. O testemunho não ajudou em quase nada. Ele apenas reclamou que a filha não era obediente. A mãe da menor e os policiais de plantão também serão ouvidos.
TraiçãoA polícia tem informações que Raquel e o soldado estavam namorando. O delegado também confirmou a existência de rumores de que a menor estaria grávida, mas ele ainda aguardava os resultados da autópsia feita em Campo Mourão.
A Folha apurou que a gravidez não foi constatada nos exames do IML. O comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar, major Sidnei Edson Mella, disse ontem que um Inquérito Policial Militar (IPM) também vai averiguar o caso. ‘‘Há indícios de crime militar’’, disse. Enquanto isso, Framesque faz apenas serviços internos no batalhão.
O soldado Odair Antônio Framesque está para ir a julgamento por outra morte ocorrida há quase quatro anos, no distrito de Ourilândia, em Barbosa Ferraz. Ele é acusado de ter matado a própria mulher, Ivone Mendes Framesque, na época com 36 anos, com um tiro no peito e outro na cabeça. O crime aconteceu no dia 29 de julho de 1993. O processo, com 163 páginas, aguarda apenas as alegações finais da defesa para o julgamento ter data marcada. O soldado alegou que vinha sendo traído pela mulher.

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