Curitiba Uma adolescente de 15 anos foi atingida por dois tiros de pistola 380 milímetros quando conversava, na tarde de sábado, com três amigos em frente a casa onde mora com a mãe e os irmãos no bairro Cajuru, periferia de Curitiba. De acordo com o relato dos vizinhos, quatro adolescentes passaram atirando em duas motocicletas em direção ao grupo. A família trabalha com a hipótese de ''bala perdida''. ''Minha filha estava conversando com os amigos em frente de casa, como sempre fazia. Eles chegaram atirando. As balas não eram destinadas a ela ou aos seus amigos. Nenhum tem qualquer tipo de vício. São todos pessoas de bem'', defendeu ontem a mãe da adolescente, Márcia Regina de Oliveira, 40 anos.
Os vizinhos disseram que os atiradores são integrantes de uma gangue da Vila Trindade. De acordo com eles, seriam chefes do tráfico de drogas na região e que estariam tentando intimidar outros adolescentes. ''O que acontece é que estas gangues querem fazer com que todo mundo trabalhe para eles no tráfico de drogas. Quem não trabalha, geralmente é ameaçado. Eu já vi isso acontecer por aqui e ninguém faz nada. É importante que as autoridades de segurança pública se sensibilizem com a situação'', disse a mãe emocionada.
A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso. O delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, titular da Delegacia de Homicídios, não acredita na hipótese de ''bala perdida''. Segundo ele, os tiros teriam sido mesmo direcionados ao grupo que conversava em frente a casa da adolescente. ''Os tiros só atingiram a menina. Será que o alvo não era ela mesma? É o que estamos investigando e vamos descobrir nas próximas horas'', afirmou o delegado.
Para a mãe da menina, que e mora há três anos no Cajuru com outros quatro filhos e com a mãe dela, que tem 70 anos e sofre dois derrames, a hipótese levantada pelo delegado é ''absurda''. Segundo ela, a filha está terminando o primeiro grau pela manhã e cuida da avó à tarde. ''Ela não se envolve com ninguém. Ela vai para a escola e volta para casa. É impossível que ela seja alvo de inimigos'', disse ela.
A adolescente já está em casa. Ela passou por duas cirurgias para a retirada de projétil e ainda tem um pouco de febre.

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