Lúcio Horta
De Londrina
O fígado da garota H.C.S., 11 anos, morta sexta-feira em Londrina depois de receber um tiro acidental, foi transplantado na madrugada de domingo no Hospital das Clínicas, em Curitiba, pela equipe do médico Júlio Coelho. O receptor é uma garota de 15 anos, moradora da Região Metropolitana de Curitiba. A família não autorizou a divulgação do nome.
Os órgãos de H.C.S. foram retirados a partir das 13h30 de sábado na Santa Casa de Londrina. Além do fígado, uma córnea, os rins e as válvulas do coração poderão ser aproveitados. Elza de Lara, coordenadora geral da Central de Transplantes da Região Norte do Estado, disse ontem que o receptor da córnea será escolhido hoje entre as pessoas que estão na fila de espera da central regional. O transplante deve ser feito até sete dias após a retirada do órgão. A outra córnea foi atingida pelo tiro e não pode ser aproveitada.
Já as válvulas do coração foram encaminhadas para Curitiba e serão transplantadas segundo a fila da central estadual. Neste caso, não há pressa: o órgão ainda será preparado e pode ser congelado. O problema maior, segundo Lara, são os dois rins. O exame de compatibilidade entre doador e receptor é feito por meio das células do baço, mas estas células estão bastante lesadas. Lara acredita que dificilmente o exame poderá ser feito, o que inviabiliza o transplante.
O acidente que causou a morte de H.C.S ocorreu na última segunda-feira, no Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina). A garota teria sido atingida quando o irmão D.R.S., 17 anos, limpava um revólver calibre 32 num quarto da residência. A arma disparou e o tiro perfurou o olho direito de H.C.S. A garota foi atendida no local do acidente pelo Siate e permaneceu internada na Santa Casa de Londrina até sexta-feira, quando foi constatada a morte cerebral. O corpo foi sepultado ontem, às 17 horas, no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte).

mockup