Garota de 13 anos é assassinada em Foz
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Valmir Denardin 
A estudante Liana Almudi, de 13 anos, praticante de hipismo, foi encontrada morta, possivelmente depois de sofrer violência sexual, anteontem à noite, em Foz do Iguaçu. Seu corpo foi localizado em um matagal, próximo à escola de equitação que ela frequentava. Estava sem camiseta e com a calcinha e a calça jeans abaixadas até os calcanhares.
Liana era filha do técnico em informática da Itaipu Binacional Nilson Almudi. Há uma semana, ela havia iniciado aulas de equitação no Clube do Cavalo - uma associação hípica mantida e frequentada por funcionários da hidrelétrica. No dia em que foi morta, a adolescente se preparava para praticar a terceira aula do curso.
A direção do Clube do Cavalo não forneceu ontem informações sobre o crime. Segundo boletim elaborado pela Polícia Militar, que atendeu a ocorrência, Liana foi atacada no final da tarde, depois de sair do clube, sozinha, em direção a uma chácara de propriedade de sua família - a cerca de 400 metros de distância -, para apanhar a égua com a qual treinava equitação.
O corpo da estudante só foi encontrado às 20 horas, em um matagal, com afundamento da testa e sinais de espancamento no rosto, principalmente nos olhos e no nariz. Segundo laudo do Instituto Médico-Legal (IML) de Foz do Iguaçu, assinado pelo médico legista Mário Motta Martins, a causa da morte foi estrangulamento e traumatismo craniano. Material colhido no cadáver foi enviado para exames no laboratório central do IML do Paraná, em Curitiba, para comprovar se houve estupro. O resultado deverá ser divulgado hoje.
Durante todo o dia de ontem, a Polícia Civil manteve sigilo sobre as investigações, que estão sendo comandadas pelo delegado Cláudio Kikuchi, do 2º Distrito Policial. Kikuchi ouviu cerca de dez pessoas, entre funcionários e diretores do Clube do Cavalo e parentes da adolescente. Ele não deu entrevistas.
No final da tarde, o delegado-chefe da 6ª Subdivisão Policial (SDP), Luís Carlos de Oliveira, disse já ter um suspeito do crime, sem revelar o nome. Oliveira afirmou que, com o resultado do exame do IML nas mãos, poderá pedir teste de DNA desse suspeito para confrontar com o material genético do criminoso que possa vir a ser encontrado no corpo da vítima.
Liana morava com a família - os pais e o irmão, de 15 anos -, na Vila B de Itaipu. Localizada na região norte de Foz do Iguaçu, próximo à hidrelétrica, a Vila B é um conjunto residencial de alto padrão, ocupado por famílias de funcionários graduados da binacional, principalmente engenheiros e técnicos. O bairro possui segurança própria e guaritas nas vias de acesso.
Criado há dois anos e com 42 sócios, O Clube do Cavalo fica a cerca de 2 quilômetros do bairro, também em terreno (8 alqueires) pertencente à Itaipu. Essa região é desabitada, com matagais e algumas áreas de mata.
Ontem, a Itaipu dispensou do trabalho os funcionários para ir ao velório. O diretor geral brasileiro da binacional, Euclides Scalco, que estava em Foz ontem, foi à capela da Vila B, onde o corpo era velado, para prestar solidariedade à família da estudante. O corpo de Liana foi sepultado às 16h30, no Cemitério Parque do Iguaçu, localizado no Jardim São Paulo (região leste da cidade).


