Garnisés do Bosque sofrem ameaças
Paulo Ubiratan
De Londrina
Os garnisés do Bosque, no centro de Londrina, correm o risco de serem retirados do local. A informação chegou ontem aos frequentadores da área e segundo alguns deles, cerca de 70 pessoas já estavam se mobilizando para evitar a suposta medida da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA).
O pedido da retirada dos garnisés do Bosque teria sido feito por um grupo de moradores de prédios vizinhos. Os vizinhos estariam se queixando que, todas às manhãs, são acordados pelo cacarejar dos pequenos galinhos. Os revoltados moradores teriam já mandado um abaixo assinado à AMA, exigindo a retirada das aves.
Este pessoal que quer a retirada dos garnisés é gente que não tem coração e não sabe os benefícios que estes bichinhos inofensivos trazem para nós. Eles fazem a higiene do Bosque, comem todos os peçonhentos, baratas e outros insetos prejudiciais a saúde humana, afirmou o taxista Roberto Antonio Guder, conhecido como Gaúcho. Ele é um dos que estão encabeçando a mobilização contra a retirada dos garnisés e diariamente os alimenta junto com mais de 15 pessoas.
O taxista lembra que no ano passado a AMA retirou as aves do Bosque e em pouco tempo começaram a aparecer os mais diversos tipos de insetos que perturbavam, principalmente à noite, quem passasse perto do local. Gaúcho trabalha em um ponto de táxi ao lado do Bosque, junto com mais oito colegas que também ajudam alimentar as aves.
Foram contados 70 pintinhos e 31 galos e galinhas que vivem ciscando entre as frondosas árvores. Os galinhos andam sempre empinados e cheios de poses, acompanhados de suas respectivas galinhas. Não é difícil encontrar uma galinha escondida em um tronco podre chocando ovos.
A reportagem encontrou quatro delas chocando, denunciando que em breve a criação vai aumentar. As aves também se adaptaram com as pessoas e a maioria delas se aproxima do humano exigindo alimento, principalmente quando alguém está comendo pipoca.
Outro taxista revoltado com o pedido dos moradores dos prédios é Geraldo dos Santos. Estes bichinhos já fazem parte do cenário do Bosque e não consigo entender a cabeça de quem quer exterminá-los. Fiquei sabendo que as aves serão levados para o Parque Arthur Thomas, onde existem gambás e raposas. Estes bichos são os grandes inimigos das galinhas e tenho certeza que matarão todos os pobres garnisés, reclamou. Para Geraldo dos Santos, quem deve ser retirado do Bosque são os assaltantes, que a todo momento atacam e perturbam os transeuntes.
Quando soube que o motivo de tirarem as aves eram os cantos dos galos fiquei revoltado. Quisera ter a felicidade de acordar com o cantar de uma ave. Estes garnisés são patrimônio do Bosque e servem de referencial para as crianças da cidade, que somente conhecem galinha no espeto ou na panela, afirmou o aposentado José Maria De Cunto.
O próprio fiscal do Bosque, Edvaldo Martins, afirmou que constantemente recebe pedidos para que sejam colocadas mais variedades de animais no local. Ele também disse que não entende porque querem tirar os garnisés, que não fazem mal a ninguém.
A Folha procurou alguns dos moradores dos prédios que estão propondo a retirada das aves. Nenhum quis falar a respeito. O diretor da AMA, Rubens Canizares, disse que diariamente recebe telefonemas e cartas anônimas pedindo a retirada das aves do Bosque.
No entanto, comentou que ainda não chegou em suas mãos nenhum abaixo-assinado, por isso não sabia quais as providências que iria tomar em relação aos garnisés.Canto dos galos estaria incomodando moradores de prédios próximos do local onde as aves vivem, em perfeita harmonia com os humanos
Milton DóriaMilton DóriaMilton DóriaMilton DóriaO BOSQUE E AS AVESO galinho branco passeia tranquilo perto de um frequentador do Bosque: convívio harmonioso entre as aves e o homem. Acima, à esquerda, ovos, sinal de aumento da população. No meio, dois frequentadores do local que costumam contribuir com a alimentação das aves. Abaixo deles, Edvaldo Martins, fiscal que recebe pedidos para que mais espécies sejam colocadas na áreaMilton DóriaO galo maior, provavelmente o rei do pedaço: pose altiva, sem medo do clic da câmera fotográficaMilton DóriaUma galinha choca na abertura do tronco de uma árvore: cena comum, apesar da proximidade dos humanos





