Garis deixam de coletar 1,5 mil toneladas de lixo
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segunda-feira, 05 de abril de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba Cerca de 95% dos dois mil garis e coletores de lixo de Curitiba cruzaram os braços ontem e prometem permanecer em greve por tempo indeterminado. Não houve acordo entre a Cavo, empresa responsável pelo serviço na cidade, e o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco), sobre o índice de reajuste salarial. Os trabalhadores, então, decidiram aguardar as reuniões na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), marcadas para hoje, para tomar uma nova decisão. Por enquanto, os 200 caminhões da empresa, que coletam, em média, 1,5 mil toneladas de lixo por dia, estão parados. Ontem apenas um caminhão para recolhimento de lixo hospitalar foi liberado pelos grevistas para sair da empresa.
Os garis e coletores passaram todo o dia reunidos em frente à sede da Cavo. A entrada dos funcionários estava prevista para as 7 horas, mas representantes do Siemaco iniciaram a manifestação no local uma hora antes. A greve prejudicou também o trânsito. No início da manhã, a Rua Getúlio Vargas, em frente à empresa, ficou totalmente bloqueada. Só depois das 10 horas, a Polícia Militar (PM) conseguiu abrir uma das pistas. Como resultado da manifestação, já de manhã a Cavo chamou os sindicalistas para negociar, sem sucesso. Durante à tarde, integrantes do Siemaco foram até a prefeitura pedir ajuda nas negociações.
O presidente do Siemaco, Manassés Oliveira, informou que haverá, hoje, às 1h30, uma reunião de conciliação no TRT para decidir a porcentagem de trabalhadores que devem continuar fazendo os serviços, considerados essenciais. Já às 11 horas a diretoria do sindicato e da Cavo vão participar de uma mesa redonda na DRT para tentar chegar a um acordo sobre o reajuste. A categoria pede 10% de reajuste real mais 7,47% da inflação (INPC), aumento de 20% dos vales refeição e alimentação. Contudo, a Cavo, até então, ofereceu apenas a reposição do INPC tanto no salário quanto nos vales.
A Cavo informou, por meio de nota oficial, que foi surpreendida pelo início do movimento grevista, já que os líderes da greve não enviaram à empresa e ao Ministério do Trabalho o aviso de greve com 48 horas de antecedência. Além disso, a empresa diz que o Siemaco foi o único sindicato onde a Cavo atua (Florianópolis, São Paulo e Belo Horizonte) a recusar a proposta.
Os grevistas prometiam permanecer durante a noite em frente à sede da Cavo para evitar que caminhões saiam durante a noite. (Colaborou Maigue Gueths)


