Curitiba – Na pressa do cotidiano, o serviço deles passa quase despercebido. Entretanto, apenas uma semana sem o trabalho que eles fazem (devido a uma greve, por exemplo) provocaria um efeito nas calçadas e nas ruas que certamente despertaria a atenção de todos nós. ‘‘Eles’’ são os coletores e varredores de lixo. Hoje, 16 de maio, comemora-se o Dia do Gari.
  Em todo o Paraná, milhares de profissionais trabalham arduamente para manter limpas as áreas urbanas. Um deles é Ezequiel de Almeida Lima, 22 anos, dois e meio dedicados à coleta de lixo em Curitiba. ‘‘Um amigo disse para eu procurar emprego na área. Estava precisando muito de serviço. Eu já tinha trabalhado de repositor em supermercado e de servente de pedreiro’’, lembra Lima.
  Com o salário, ele sustenta a esposa e uma filha, nascida há poucas semanas. Apesar das dificuldades, Lima ressalta que o trabalho lhe dá muitos motivos para sorrir. ‘‘O melhor é a amizade dos companheiros. Se eu sair da empresa, não vou esquecer deles’’, diz ele.
  Entretanto, Lima lamenta os obstáculos que a população acrescenta a seu trabalho. ‘‘Na hora da coleta, há muitos perigos. Já ouvi xingamentos. Tem gente que deixa o portão aberto, o cachorro escapa e ataca os coletores. Além disso, tem um pessoal mal informado, que não sabe embalar lixo. Uso luvas, mas mesmo assim já me cortei com caco de vidro dentro de saco de lixo. Basta a pessoa embalar os vidros numa caixa de leite’’, avisa.
  O presidente da Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná, Manassés Oliveira da Silva, aponta que a discriminação contra coletores e varredores se manifesta de várias formas: desde os comerciantes ‘‘que não deixam os garis utilizarem os banheiros de seus estabelecimentos’’ até o poder público, ‘‘que mantém aterros sanitários inadequados’’, passando pelos empregadores que ‘‘pagam salários baixos e precisam investir mais na qualificação dos trabalhadores’’.
  ‘‘Na questão salarial, há muito para avançar. O piso da categoria é R$ 380. O governo estadual criou uma grande expectativa, ao anunciar o salário mínimo de R$ 437, e agora ficamos sabendo que esse valor não deverá ser aplicado para as categorias que têm acordo coletivo, que é o nosso caso. Mais uma vez, os profissionais da limpeza foram deixados de lado. Sofremos também com más condições de trabalho. Temos que ficar o tempo todo cobrando mais segurança, uniformes e equipamentos novos, senão as empresas deixam tudo do mesmo jeito’’, critica
Oliveira.

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