Enquanto os moradores do km 10 da PR-170 iniciam a discussão do problema do lixão de Rolândia, cerca de 10 garimpeiros do lixo que trabalham no local estão preocupados com o futuro. Sobrevivendo da venda de papéis, plásticos, latas e vidros, Roseli Wilt, 43 anos, trabalha no lixão há 15 anos, com dois irmãos. Ela tem orgulho do que faz.
‘‘A gente tira de R$ 250,00 a R$ 300,00 por mês cada um. Não nos incomodamos com o mau cheiro’’, afirmou. Roseli disse que nunca ficaram doentes por causa do lixo, mesmo trabalhando sem nenhuma proteção, como luvas e botas. ‘‘Aqui está o meu sustento. Se sair daqui, vai ser difícil ganhar a mesma coisa em outro lugar’’, disse.
A irmã de Roseli, Fátima Bernadete Wilt, 40 anos e há 13 no lixão, disse que eles ‘‘cuidam’’ do depósito que não possui cercas ou qualquer fiscalização. ‘‘Desde que começamos a trabalhar aqui, a prefeitura nos pediu para que não deixássemos ninguém vir morar no lixão. Impedimos que as pessoas venham montar barraca aqui, porque tiramos daqui o nosso ganha-pão’’.
Fátima conta que já quase foi apunhalada por uma pessoa que tentou morar no local. ‘‘Eu, que vivo mais no lixão do que em casa, lutei com um homem armado para não deixá-lo viver aqui. Não sou contra quem queira trabalhar como a gente, mas tem que respeitar o local’’.
Diante da história de dedicação ao depósito de lixo, Fátima espera que a prefeitura, na criação do aterro sanitário, apresente uma solução para eles. A preocupação dos irmãos é manter a renda mensal. (A.S.)

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