A transferência do depósito de lixo de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) da cidade para a zona rural pode causar um drama social envolvendo as 17 famílias que vivem da ‘‘garimpagem’’ de material reciclável no atual lixão. Cerca de 20 pessoas temem ficar sem fonte de renda – cerca de R$ 250,00 per capita – com o início do funcionamento do aterro sanitário, prestes a ser inaugurado.
Segundo a legislação ambiental, o acesso a parte do aterro destinada à compactação é restrito aos caminhões que despejam os resíduos. Os ‘‘garimpeiros’’ não terão mais como recolher metais, plástico, papel e vidro e revender o material aos recicladores.
‘‘Nós estamos preocupados porque aqui ninguém tem estudo, ninguém consegue emprego, a gente só sabe fazer isto’’, diz Celina Sabino dos Anjos, 44 anos, que trabalha junto com seu companheiro, José Maria Martins, 46 anos. O casal fatura até R$ 500,00 por mês com a atividade, que sustenta a família há seis anos.
Nem a alternativa que consta no projeto do aterro – um barracão para a separação do lixo reciclável, também com obras adiantadas, está sendo construído no complexo – não é capaz de acalmar o ânimo dos ‘‘garimpeiros’’. Segundo eles, a prefeitura não se preocupou em instituir um programa de separação do lixo residencial, o que comprometeria a captação de ‘‘matéria-prima’’ para os trabalhos dos operários do barracão.
‘‘A prefeitura está se omitindo na questão. Tanto na falta de preocupação em articular os garimpeiros em uma cooperativa, quanto na ausência de um programa capaz de mobilizar as donas de casa a separar o lixo orgânico do reciclável’’, diz o ambientalista Daniel Steidle, presidente do Movimento Nossa Terra, ONG cuja principal bandeira é a destinação adequada do lixo do município.

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