Garimpeiros começam hoje a trabalhar para a prefeitura
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quarta-feira, 25 de abril de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
Os garimpeiros que sobrevivem do lixo reciclável coletado no aterro sanitário de Ponta Grossa começam hoje a trabalhar para a prefeitura. Eles vão integrar uma frente de trabalho que vai promover a limpeza nos arroios da cidade. Em toda a sua extensão, Ponta Grossa tem cerca de 150 quilômetros de arroios. São pequenos riachos que cortam a cidade e que acabam sendo transformados em depósito de lixo.
A atual administração municipal quer recuperar não só os arroios como também as áreas ao redor, os chamados fundos de vale. E para isso irá contar com a mão-de-obra de 80 pessoas, que até ontem catavam lixo no depósito da cidade.
Os trabalhadores vão ganhar um salário mínimo por mês.
Segundo o secretário municipal de Turismo e Meio Ambiente, Jorge Demiate, a equipe da prefeitura deve investir também na qualificação profissional de algumas dessas pessoas.
Como as frentes de trabalho não serão permanentes, o secretário acredita que num prazo máximo de 90 dias será possível iniciar as atividades de uma cooperativa de reciclagem de lixo.
A proposta das frentes de trabalho não agrada a todos os garimpeiros. Aqui nós ganhamos mais, alega um deles, que prefere não revelar o nome. Ele conta que por mês consegue ganhar perto de R$ 500,00. Isso sem trabalhar muito, diz.
Os garimpeiros do lixão de Ponta Grossa terão que ser retirados do local por determinação judicial. Desde 99 corria uma ação movida pelo Ministério Público, pedindo providências para o local e acusando a prefeitura de omissão por permitir que as pessoas trabalhassem num local totalmente insalubre. Na semana passada saiu a sentença final da ação, analisada pelo juiz da 2ª Vara Cível, Fábio Leite. Na sentença o juiz determina que as pessoas sejam retiradas imediatamente do local. Se descumprir a determinação, a prefeitura pagará multa de R$ 700,00 por dia. A sentença deve ser publicada no começo da próxima semana, quando então seu cumprimento passa a ser obrigatório.


