Gari quer apoio para ajudar grávidas pobres
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segunda-feira, 03 de maio de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Bom para uns, ruim para outros. As 80 mil toneladas de lixo reciclável coletadas diariamente em Londrina são sinônimo de fonte de renda para, pelo menos, 1,5 mil catadores, distribuídos em 22 organizações não-governamentais (ONGs). Adotada há cerca de dois anos, porém, a iniciativa ecológica gerou preocupação para o gari Valcuruci Jorge dos Santos, 40 anos. Ele conta que era do lixo que tirava boa parte dos materiais que, vendidos à reciclagem, rendiam o necessário para a compra de enxovais de bebê que ele doa para gestantes pobres.
Santos ajuda mulheres grávidas há seis anos, mas afirmou que, com o surgimento da coleta seletiva, o jeito foi tirar parte dos R$ 280 que ganha mensalmente para dar continuidade à idéia. Mesmo assim, garante: está cada vez mais difícil continuar. ''Gasto cerca de R$ 80 do meu salário para comprar roupinhas, mamadeiras e fraldas. E ainda sustento a casa'', disse, explicando que mora com a mãe, aposentada, uma sobrinha grávida e o filho pequeno dela.
Morador do Jardim Marabá (Zona Leste), o varredor contou que tudo começou quando uma mulher ''completamente desesperada'' o procurou querendo doar o próprio filho. ''Fui até a casa dela, vi aquele bebezinho sem roupas e arrumei o que pude para mudar aquela situação'', conta.
Avesso à ajudas oficiais, que ele considera ''politicagem de ano eleitoral'', Santos preferiu pedir a colaboração da comunidade. Os interessados em contribuir com peças para a montagem de novos kits de enxoval infantil podem entrar em contato com ele pelo telefone (43) 3329-0083, ou à rua da Framboesa, nº 221.


