Percorrer correndo mais de 40 quilômetros todos os dias da semana. Essa é a rotina do coletor de lixo Joaquim Pereira da Silva Neto, 36 anos, que trabalha na Zona Leste de Londrina. Desempregado pela construção civil, ele encontrou na ocupação de gari um porto seguro para garantir o sustento da família e não pretende abandonar a profissão. ''Entrei sem padrinho nenhum'', brinca.
Ele explica que o ritmo de trabalho é puxado. É preciso correr e pegar peso o tempo todo para não atrasar a coleta: a equipe percorre mais de 40 quilômetros para recolher cerca de 15 toneladas de lixo por dia. ''Tem que ter muito pique. No primeiro dia senti muita dor no corpo e nas pernas'', admite. Hoje em dia, porém, ele afirma ter se acostumado à rotina. ''Antes não tinha profissão e agora vejo que isso é um trabalho e ainda ajuda no condicionamento físico'', argumenta. Além do mais, o salário e os benefícios são bastante atraentes. Somados, o ganho mensal chega a cerca de R$ 700,00.
Mas a profissão também tem seus momentos de alegria e diversão. Silva Neto conta que encontrou muita coisa boa jogada fora. ''Achei uma churrasqueira que até hoje tem vida útil lá em casa.'' Seus colegas de equipe, Ricardo Ruiz da Silva, 22 anos, e Gilmar Rodrigues Rocha, 35 anos, revelam que já teve companheiro que encontrou dentadura com vários dentes de ouro e até dinheiro. ''Já achei 11 dólares enroladinho dentro de uma caixa'', confessa Rocha.
Eles só reclamam que muitas pessoas ainda insistem em colocar cacos de vidro e seringas diretamente no lixo, que perfuram as luvas e causam ferimentos. Outra turma que deixa os coletores furiosos é formada por motoristas que passam a toda velocidade ou com faróis desligados ao lado do caminhão.

mockup