Gari é presa por não pagar pensão dos filhos
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Como fazia todos os dias há seis meses, a gari Andréia de Fátima Arrigo Severino, 43 anos, varria as ruas de Tamarana (62 km ao sul de Londrina) tranquilamente, por volta de 15 horas de anteontem, quando foi abordada por policiais militares que solicitaram que ela os acompanhasse na viatura. Ela era sendo procurada pela Justiça desde o dia 26 de novembro. O motivo: uma dívida de pensão alimentícia dos filhos no valor de R$ 198,00, que estava sendo cobrada pelo ex-marido em uma ação cível que corre pela comarca de Bauru (SP).
Andréia passou a noite na carceragem do 3º Distrito Policial de Londrina. Às 16 horas de ontem, o próprio ex-marido teria feito o depósito judicial e Andréia foi colocada em liberdade.
Logo após deixar a prisão, Andréia contou à Folha que se separou do marido, Gilmar Aparecido Severino, em 1998. O casal teve três filhos, e dois deles decidiram continuar morando com o pai em Bauru. Há dois anos, Andréia formou uma nova família e se mudou para Tamarana. No ano passado, Gilmar teria informado à ela que havia ingressado com uma ação cível cobrando o pagamento de pensão alimentícia. Alguns meses depois, os dois voltaram a conversar e teriam decidido, de comum acordo, que a ação deveria ser extinta, já que o pai de Andréia ajudava na criação das crianças.
Há seis meses, ela foi aprovada em um concurso público e começou a trabalhar como varredora de rua em Tamarana com o salário de R$ 260,00. Anteontem, porém, foi surpreendida pela Polícia Militar. ''Estava trabalhando e uma viatura parou do meu lado e o policial disse que eu tinha que ir com ele'', detalhou. Andréia disse que um oficial de justiça chegou a procurá-la em casa no começo do ano, mas como o ex-marido a havia instruído, disse que já havia entrado em acordo com Gilmar. ''Acho que ele (Gilmar) não sabia que precisava voltar no Fórum para retirar a ação'', cogitou a varredora.
Presa, ela teve que ser transferida para o 3º DP, em Londrina, porque em Tamarana não existe carceragem feminina. O distrito abrigava 70 presas mas o delegado Valdir Fernandes disse que ela permaneceu em cela separada das demais. Mesmo assim, Andréia disse que a experiência de ficar trancada em um cubículo foi terrível. ''Passei a noite em claro. Graças a Deus as meninas me trataram bem e agradeço a ajuda que elas me deram. Algumas até ficaram bravas com o meu ex-marido'', comentou.
Depois de ser informado da prisão da ex-mulher, o próprio ex-marido teria feito o depósito da quantia exigida pela Justiça: R$ 198,00. As 16 horas de ontem, o mesmo juiz que decretou a prisão, Mauro Ruis Daró, da 3 Vara Cível de Bauru, expediu o mandado de soltura de Andréia. Ela saiu pela porta da frente do DP mas com a moral abalada. ''Isso foi uma humilhação muito grande. Como é que vou encarar todo mundo? E posso até ter problemas no emprego.''


