Garçom promete revelar fatos novos
Marcos Zanatta
Marcos NegriniJamir Valentim Vieira, acusado de matar e cremar estudante em Sarandi: revelações no julgamentoO garçom Jamir Valentim Vieira, acusado de matar e cremar o estudante Claudison Bernardi em junho de 1996 em Sarandi (7 km a leste de Maringá), promete revelar novos fatos sobre o crime hoje, durante o julgamento, que começa às 8h30, no Fórum de Maringá. Ele disse que não revelou a ninguém, nem mesmo ao advogado de defesa, Carlos Eduardo Buchweitz, o que pretende argumentar. Vieira adiantou apenas que tem esperança na redução da pena e chegou a pedir a Buchweitz que não trabalhe pela absolvição.
O advogado confirmou que Vieira pretende fazer novas revelações, mas garantiu que não foi informado pelo cliente sobre o assunto. Buchweitz disse ainda que vai fazer uma defesa ‘‘clássica’’, pedindo mesmo a redução da pena. ‘‘Vamos tentar chegar nos 18 anos de detenção’’, resume. Ele adiantou ainda que pretende agilizar o julgamento, não colocando obstáculos para cancelar a sessão ou mesmo arrastar os trabalhos por mais de um dia.
O promotor Maurilio Palhares e o advogado Israel Batista de Moura, assistente de acusação, pretendem pedir a pena máxima de 30 anos para Vieira. Os dois vão se basear na confissão e nos depoimentos do garçom, que confessou ter planejado e praticado o crime sozinho. O juiz Luiz Carlos Gabardo, que vai presidir o júri, pediu reforço policial para o Fórum de Maringá. Ele adiantou que vai permitir a presença de apenas 180 pessoas no tribunal, capacidade do local. Gabardo acredita que o julgamento não passe do final da noite de hoje.
O crimeO estudante Claudison Bernardi desapareceu no dia 10 de junho de 1996, entre a casa onde morava e o restaurante onde Vieira trabalhava. Um trajeto de aproximadamente 30 metros. Durante oito dias Vieira fez várias ligações para telefones de parentes e amigos da família de Claudison, pedindo resgate de R$ 120 mil.
No dia 18 de junho o delegado de Sarandi, José Aparecido Jacovós, desconfiou do comportamento do garçom durante depoimento. Uma busca no quarto de Vieira revelou indícios do envolvimento dele, que acabou confessando.
Os detalhes do crime surpreenderam até a polícia. Vieira disse que atraiu o estudante até o quarto onde morava já com a intenção de matar e simular um sequestro. Depois de estrangular Claudison, ele colocou o corpo em uma caixa de gordura, no corredor de acesso aos quartos nos fundos do restaurante.
Com receio de ser descoberto por causa do mau cheiro no local, no dia 15 de junho Vieira abriu a caixa, perfurou a barriga da vítima com um espeto e queimou o corpo na churrasqueira com um maçarico. A polícia técnica encontrou apenas fragmentos de ossos, um botão da calça e o aparelho odontológico usado por Claudison em uma horta nos fundos do restaurante, onde são depositadas as cinzas da churrasqueira.
O pai de Claudison, Antonio Berbardi, disse ontem à Folha que vai acompanhar todo o julgamento, e espera a pena máxima para Vieira. Ele revela que conheceu o garçom em Foz do Iguaçu, durante uma viagem de negócios. ‘‘Um amigo que estava junto convidou ele para trabalhar no restaurante em Sarandi, que é meu mas está arrendado há vários anos’’, contou.
Berbardi diz que Vieira frequentava a casa da família, sempre em reuniões religiosas, e que ele chegou a participar das orações durante o período em que o estudante estava desaparecido. ‘‘Nunca desconfiamos dele’’, lembra.

mockup