Garçom é condenado a 29 anos
Marcos Zanatta
Marcos NegriniFuturo na prisãoJamir Valentim Vieira, que matou estudante e cremou o corpo usando um maçarico a gásO garçom Jamir Valentim Vieira, condenado a 29 anos e um mês de prisão por ter matado e cremado o corpo do estudante Cleudison Bernardi, 14 anos, em junho de 1996 em Sarandi (7 km de Maringá), deve cumprir pelo menos 20 anos da pena. A previsão é do advogado Carlos Eduardo Buchweitz, que atuou na defesa de Vieira. Segundo ele, apesar da sentença ser de regime fechado e o réu ter dispensado qualquer tentativa de apelação, Vieira pode ser beneficiado pelo bom comportamento e pela disposição de trabalhar na prisão.
Os jurados não acataram nenhuma alegação da defesa, que pediu a absorção dos crimes de tentativa de extorsão e de ocultação e destruição de cadáver. A intenção do advogado Buchweitz era de prevalecer apenas a acusação por crime de homicídio qualificado. Todos os quesitos colocados em votação foram contra Vieira, inclusive com os jurados não apontando nenhum atenuante a favor do réu. Depois de 13 horas de julgamento, por volta das 21h30, o juiz Luiz Carlos Gabardo leu a sentença. Vieira foi condenado a 25 anos pelo homicídio, quatro anos pela ocultação e destruição do corpo da vítima e um mês pela tentativa de extorsão, que não foi consumada.
Durante depoimento, Vieira confirmou todas as informações dos autos. Ele disse que planejou o sequestro de Cleudison cerca de 10 dias antes. Em 10 de junho de 1996 atraiu o estudante até o quarto onde morava, nos fundos da churrascaria em que trabalhava, entre a casa do menor e o escritório do pai do estudante, Antonio Bernardi. Com um fio de arame enforcou Cleudison e colocou o corpo em uma caixa de gordura, no corredor de acesso ao quarto. No dia seguinte fez a primeira ligação para a família, exigindo um resgate de R$ 120 mil para liberar Cleudison.
Em 15 de junho, preocupado com o mau cheiro no corredor, esperou todos dormirem e levou o corpo de Cleudison até a churrasqueira. Ele disse aos jurados que por cerca de quatro horas destruiu o corpo com um maçarico a gás, usado para acender carvão. Uma segunda ligação para a família foi feita em 17 de junho. No dia seguinte ele confessou o crime durante audiência com a polícia. Ontem Jamir Vieira completou 24 anos.

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