Ibaiti - Recentemente, numa feira escolar de ciências em Ibaiti, um energético natural surpreendeu à maioria dos que aceitaram prová-lo: o pó dissolvido em água se converteu na autêntica garapa, como se fosse de cana moída na hora. Segundo o fabricante o produto oferece a possibilidade de se beber caldo de cana em qualquer lugar, sem a necessidade de uma garapeira por perto, até mesmo na entressafra e sem o risco de contaminações. Já por seu caráter energético, corresponde à expectativa de nutricionistas.
O caldo de cana normal, que se conhece, já foi sugerido pela professora Denise Vaz de Macedo, do Departamento de Bioquímica do Instituto de Biologia da Universidade de Campinas (Unicamp), para substituir outros energéticos, depois de uma experiência que ela fez com jogadores de futebol, nos primeiros anos 2000. Um meio de expandir o consumo entre atletas seria o pó, para ser dissolvido em água, que passou a ser o objetivo de pesquisadores em outro setor da Unicamp.
Não existe relação entre as pesquisas na Unicamp e o caldo de cana em pó do Norte Pioneiro, produzido pela Mizumoto Alimentos, de Guapirama, que usa tecnologia própria. ''Criatividade regional'', resume o empresário Ademar Mizumoto. A matéria-prima é orgânica, procedente da propriedade dos irmãos Ribeiro, estabelecidos em Conselheiro Mairinck e donos da Natuceres Alimentos Naturais, que está colocando a novidade no mercado com a sua marca, especificando: ''energético natural 100% orgânico''.
Saudável pela própria natureza, o pó desvincula a tradicional bebida do risco de contaminações comuns às garapeiras, que, dadas às circunstâncias, nem sempre oferecem a higiene desejável, facilitando a cultura de microorganismos perigosos à saúde, ou moem cana imprópria. Com o advento da garapa em pó, existe a perspectiva de que essa bebida venha a ser servida até nos bares, igual aos sucos de frutas batidos em liquidificador.
Com um quilo de pó se faz oito litros do caldo em sua consistência normal ou 10 a 12 litros menos encorpados, explica Milton Ribeiro, da Natuceres. Permanecem o sabor original e todas as propriedades da cana, conforme análise físico-química mostrada por ele. Constatou-se que não há perdas nas sucessivas transformações em pó e líquido. Milton também dá uma dica final: ''Fica melhor se passar pelo liquidificador''.

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