A partir das dez vias mais perigosas para o ciclista em Londrina, o geógrafo Matheus Oliveira Martins da Silva produziu 24 proposições de melhorias, com mais dez avenidas e rodovias que poderiam receber ciclofaixas ou ciclovias. O objetivo é permitir uma conexão entre as regiões e os espaços destinados exclusivamente a bicicletas, o que hoje não existe. "As dez vias mais perigosas se encontram de alguma maneira, formando um eixo com uma proposta muito boa para ser executada. Vemos que ciclista tem trechos muito curtos para deslocamento", cita o geógrafo.

Segundo Fabio César Alves da Cunha, professor doutor do Departamento de Geociências da UEL, a proposta do orientando não traz apenas a ampliação, mas também a readequação dos trechos já existentes, com a melhora da sinalização horizontal e vertical, entre outras questões. "Focamos muito nos acidentes de moto e carro, mas temos centenas de registros envolvendo bicicletas. Isso quer dizer que temos muitos ciclistas na cidade, o que não é perceptível. Estamos andando nos ônibus e carros e parece que os ciclistas são invisíveis. Mas não, eles existem e estão correndo um grande risco", acredita. "É tentar dar o mínimo de infraestrutura para garantir o mínimo de segurança", acrescenta.

FRAGMENTAÇÃO
Um dos fatores elencados pelos profissionais como corroborador para a alta desconexão entre as ciclofaixas está no atual formato do EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança). Em muitas áreas, empresas constroem vias direcionadas aos ciclistas como contrapartida, porém o poder público não dá continuidade, gerando uma fragmentação. "É necessário que seja dada a manutenção e o município dê a conexão. Ao contrário, terá a ciclofaixa em um local isolado e se quero ir para centro, cerca de 80% do caminho é de risco, porque não tenho um local separado", destaca o responsável pelo trabalho.

Os profissionais lembram que a segurança no trânsito é responsabilidade de todos, inclusive do ciclista, que não deve "furar" cruzamentos. O professor Fábio Cunha acentua que precisa ser criada uma cultura sobre a mobilidade com bicicleta no londrinense. "É uma cidade muito moderna, recente e que está crescendo rápido, porém voltada para os carros. Percebemos uma cultura do ciclismo muito mais presente em Curitiba, por exemplo. Isso acontece porque lá tem mais investimentos. Está na hora do poder público pensar nisto." (P.M.)

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