Garagens de ônibus infernizam vizinhos
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quinta-feira, 11 de setembro de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
Arquivo FolhaTormentoSérgio Maravalhas: Os ônibus continuam acelerando os motores a noite inteira. Estou vendendo o apartamentoA poluição sonora e ambiental provocada em garagens de ônibus em Curitiba continua incomodando quem mora próximo aos locais, apesar dos inúmeros processos e ações judiciais contra as empresas.
Na quarta-feira, os proprietários da Transportes Coletivos Glória se comprometeram, em audiência, a manter os ruídos conciliando o sossego dos vizinhos com a natureza da atividade exercida pela empresa.
Apesar disso, o barulho continua com a mesma intensidade. Os ônibus continuam acelerando os motores a noite inteira. Continua a mesma coisa, reclama o morador Sérgio Maravalhas, que conseguiu um abaixo-assinado com 80 assinaturas contra a empresa.
Indignado com a ineficiência da decisão judicial, Sérgio resolveu se mudar. Estamos esperando vender o apartamento para comprar outro, conta. Ele mora no Edifício San Felipo (rua Waldomiro Dombeck, 55), no bairro Boa Vista, em frente à garagem da Glória.
Procurado pela reportagem da Folha, o gerente da Glória, Gelson Forlim, não retornou a ligação até o fechamento desta edição.
Forças políticas - A Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente (Ministério Público do Paraná) já moveu ações judiciais contra as empresas Auto Viação Cristo Rei e Auto Viação Mercês. Procedimentos administrativos foram abertos contra a Auto Viação Curitiba, Auto Viação Santo Antônio, Auto Viação Nossa Senhora da Luz e Auto Viação Marechal.
A primeira ação, movida contra a Auto Viação Mercês em 1986, ainda não trouxe resultados positivos para os moradores. Eles reclamaram da poluição atmosférica e sonora - principalmente à noite, perturbando o repouso. A empresa foi condenada a colocar uma cortina de arvoredo e proibida de estacionar veículos próximos ao muro. A sentença não foi obedecida e o processo continua em fase de execução.
O problema é que o transporte coletivo tem uma força muito grande em nível político, e um alto poder econômico, observa o promotor de justiça Robertson Fonseca de Azevedo. Segundo ele, a solução para os casos de poluição sonora e ambiental seria a transferência das garagens para áreas não-residenciais. As empresas geralmente alegam que a mudança é inviável porque os ônibus ficariam longe das linhas onde eles operam. Em relação a isso, o promotor argumenta que se as empresas estão lucrando com o serviço, elas têm que arcar com o ônus em benefício da população.


