Entre 1996 e o ano passado, o tratamento dado pelos jornais às questões envolvendo a criança e o adolescente registrou crescimento de 608%, segundo a Andi, passando de 10,7 mil textos publicados naquele ano para 75.797 inserções em 2001. ‘‘É um ganho extraordinário para um assunto que não figurava nas pautas dos jornais. E o mais importante é que o fato de ampliar a cobertura é indicativo de qualidade na formulação desta pauta, ou seja, os veículos passaram a ficar atentos à questão’’, afirma Rubens Amador. Ele destaca que o assunto passou a dividir a atenção nas reuniões de redação com temas como economia e política.
Como resultado, as reportagens produzidas pelos jornais se tornaram mais investigativas, diz. ‘‘A denúncia é fundamental para evitar a disseminação da violência, mas é o primeiro passo da questão. O que se espera do bom jornalista é que ele possa ir além do impacto da notícia, propondo solução. É preciso provocar a discussão e a adoção de políticas públicas para a mudança do quadro, afinal estamos diante de um fenômeno social, que deve ser tratado adequadamente em sua dimensão.’’
Para ele, o tema começou a ganhar maior atenção dos jornais há cerca de dez anos, com a aprovação do Estatudo da Criança e do Adolescente (ECA). ‘‘Foi a partir daí que o Brasil passou a dar atenção ao assunto. E é importante contar com a parceria, porque é por meio da mídia que se consegue mobilizar a sociedade para os fenômenos sociais que envolvem este setor.’’
Amador argumenta que, por si só, o aumento gradativo do número de matérias veiculadas pela mídia tem o poder de fomentar o debate em busca de solução e cobrar do Estado a ausência de políticas públicas. Ele destaca, por exemplo, que, além de contribuições previstas em lei, como PIS e Cofins, as empresas privadas aplicam anualmente cerca de R$ 15 bilhões na área social.

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