Ganhando no tapa
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
De repente aquele bebê fofinho e bonitinho começa a morder e a bater em quem estiver pela frente, geralmente os pais. O que fazer nessa hora? Como ensinar uma criança tão pequena que esse tipo de atitude não é correta?
A psicóloga e pedagoga Patricia Brinholli Lebois, de Londrina, explica que como os pequenos ainda não têm desenvolvida a fala se expressam dessa maneira. ''A criança de um a dois anos tem muita tendência a bater. De dois até quatro anos, a mordida. Isso faz parte do desenvolvimento normal da criança pequena, que está descobrindo o mundo'', explica.
Patricia pontua que é fazendo isso e observando a reação do outro que ela vai aprendendo como agir. Além disso, por ainda estar na fase de descobrir o mundo com a boca, o morder é algo gostoso também. ''Os próprios pais fazem essa brincadeira e não pode, isso confunde a criança. Ela não sabe o limite entre brincar e machucar'', alerta.
''O tapa é uma questão de experimentação. Ela bate para ver o que acontece, puxa o cabelo, às vezes beija. Ela vai vendo o que isso ocasiona no outro e os adultos têm que impor limites. Isso pode e isso não pode'', explica a psicóloga.
Ser direto
Para ensinar o que é certo ou errado para alguém tão pequeno, Patricia recomenda ser direto, não adianta explicar muito porque eles não entendem. ''Você tem que dizer que isso machuca, dói. Se ela está no seu colo, você a coloca no chão e diz 'não'. Diga sempre que você não gostou do que ela fez e não que não gosta dela. Mesmo pequenas elas entendem. E nunca ensinar o bate de volta, o morde de volta. Senão você está incentivando a agressão. Temos que ensinar a lidar com os conflitos de outra maneira.''
Quando a criança começa a frequentar a escolinha, se tornam comuns os conflitos entre elas. Nessa hora, caso sejam pequenas, até uns quatro anos, a recomendação da profissional é intervir logo. Depois dessa idade elas mesmas se resolvem, mas o adulto deve estar atento antes de acontecer um tapa.
''Intervir no sentido de 'o que está acontecendo' e nunca, entre crianças de diferentes idades, pedir que o mais velho privilegie o mais novo. O mais novo também precisa se frustar'', recomenda.
Mediação
No caso de crianças mais velhas e adolescentes, os pais não devem discutir uns com os outros e sim deixar que a escola medie o conflito. ''Em uma escola tem pessoas responsáveis que devem lidar com isso. Os filhos também têm que aprender a resolver os conflitos e não eu estar ligando o tempo todo. Até uma certa idade você interfere, depois ele tem que se virar. Quando está demais ai o pai precisa ir na escola ver o que está acontecendo'', explica.
Patricia ressalta que esse é o desenvolvimento normal de crianças que vivem em famílias saudáveis. Quando a agressão se torna muito frequente, deve ser investigado para saber se a criança está sofrendo agressões, se está tendo muito contato com episódios agressivos ou até através da televisão.
'Eu te odeio!'
Quando mais velhas e já dominando a palavra, se torna comum os filhos dizerem que não amam os pais, principalmente adolescentes. ''Na verdade eles são de momento. Eles expressam a raiva de uma maneira muito mais espontânea. Aprendemos que expressar isso é muito feio, guardamos muito a raiva, mas a criança expressa o que está sentindo na hora. Às vezes ela ama demais, às vezes odeia, porque os sentimentos estão em elaboração, é normal'', tranquiliza Patricia.
O problema é quando os pais não estão preparados para isso, acham que decepcionaram o filho e passam a fazer todas as suas vontades para não ouvirem nada semelhante outra vez. ''Ele está vendo como é a sua personalidade. Temos que encarar com naturalidade, com acolhimento, porque é dentro de casa que a criança aprende a lidar com sentimentos de raiva, de frustração, de agressividade'', desta ela.
A psicóloga lembra da importância de todos esses conceitos serem repetidos diariamente, até que a criança aprenda. ''Não adianta ter uma regra e não cumprir. O filho vai aprendendo que não é tudo em razão dele, essa frustração é importante para ele saber que o mundo vai muito além dele e quanto maior esse índice de frustração, melhor ficamos como pessoa. Mas não pode haver um excesso, tem que ser em equilíbrio, senão mata a autoestima da criança.''


