Ganhador da Mega não foi receber o prêmio
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terça-feira, 21 de janeiro de 2003
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os funcionários da agência central da Caixa Econômica Federal de São José dos Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba, esperaram em vão durante todo o dia de ontem. O ganhador do prêmio do concurso 430 da Mega Sena não apareceu para receber a bolada de R$ 14.410.708,81. Se tivesse aplicado ontem mesmo esse valor na caderneta de poupança, o vencedor já teria ganhado R$ 4,3 mil de juros. Esse é o valor que a aplicação vai render diariamente na poupança, o que significa uma ganho de R$ 129 mil por mês.
A proprietária da Vacari Lotéricas, Ana Lúcia Vacari, onde o ganhador fez a aposta, passou o dia colando cartazes na sua loja para contar aos moradores da cidade que a sua empresa é 'pé-quente'. ''Trabalhamos há mais de 30 anos com casa lotérica. Já estava na hora de uma prêmio da Mega sair aqui'', disse ela.
As coincidências foram muitas. O filho e a nora de Ana Lúcia estavam no Litoral no final de semana e foram até Guaratuba acompanhar o sorteio das dezenas. ''Minha nora foi escolhida para sortear uma das dezenas e ela trouxe sorte para a cidade'', acredita a empresária.
O movimento ontem na casa lotérica foi grande. O micro-empresário Ernesto Walter Oswald passou para pagar algumas contas. ''Eu sempre faço apostas aqui. Costumo comprar os bilhetes prontos, que as funcionárias mesmo preenchem. Ainda não conferi o jogo da semana passada. Pode até ser que o vencedor seja eu'', brincou.
Na porta da Caixa Econômica, os moradores de São José 'sonhavam' em como gastar o dinheiro, se tivessem a mesma sorte do vencedor. ''Eu iria embora da cidade'', disse a estudante Elizandra Sampaio, 25 anos. Segundo ela, dinheiro é bom, mas não compra felicidade nem segurança. ''Me mudaria para não correr risco'', explicou.
Já o comerciante Antônio José de Andrade, 66 anos, disse que ''sumiria por uns tempos'', mas não deixaria a cidade que lhe teria dado a felicidade de ficar milionário. ''Eu pagaria minhas contas, compraria uma big mansão, e ajudaria meus familiares e as pessoas mais miseráveis'', planejou.
O aposentado Pedro Ferreira da Cruz, 74 anos, disse que usaria o dinheiro para modificar toda a sua vida. ''Não sei bem o que eu faria com tanto dinheiro, mas eu não iria dividir a bolada com ninguém'', confessou.


