Gangues voltam a intimidar comunidade
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quarta-feira, 07 de junho de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
As diferenças entre gangues rivais baseadas na Zona Oeste de Londrina voltaram a se acirrar nos últimos meses. Moradores da região denunciam que depois das incursões e prisões realizadas pelas polícias Civil e Militar nas áreas mais problemáticas, os membros desses grupos se dispersaram pelos diversos bairros da região e passaram a fazer intimidações em portas de escola, pontos de ônibus e nas ruas.
Ontem, moradores da Rua Pantanal reclamaram à Folha que não conseguem sequer cumprir tarefas simples como ir ao mercado, tomar um ônibus, sair para o trabalho ou frequentar uma escola. ''Uma menina daqui precisou se mudar de colégio porque estava sendo ameaçada. Eles já avisaram que não vão perdoar ninguém mais, seja homem, mulher ou criança'', contou uma moradora. Outra adolescente teria sido agredida na porta de uma creche por membros de uma gangue.
A última vítima fatal dessa tensão existente entre gangues rivais da região teria sido o polidor de carros, Maurício Vieira de Lima, 28 anos, assassinado a tiros numa rua do Jardim Leonor no último dia 3. ''Ele não tinha problema com ninguém. O problema dele era morar aqui'', lamentou a víuva, ao lado dos três filhos pequenos. Lima morava há 18 anos na Pantanal. Para os familiares, o atirador pertenceria a uma gangue do Jardim Nossa Senhora da Paz.
''Queremos buscar a pacificação para ambos os lados'', destacou o integrante do Associação de Moradores do Jardim Santiago, Paulo Rodrigues. Ele reconheceu que a gangue do Pantanal também ameaça quem é do Nossa Senhora da Paz mas lembrou que é preciso lutar pela pacificação.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança da Zona Oeste (Conseg-Oeste), Rubens Ferreira, apontou que ''a situação para os moradores está ficando insustentável''. Ele pediu a ajuda das policias Militar e Civil mas ressaltou que essa realidade só mudará com investimentos sociais. Em vez de esperar, mesmo com falta de recursos, o Conseg-Oeste decidiu agir e está em vias de implantar no Jardim Bandeirantes um projeto de contraturno escolar para envolver 40 crianças em atividades esportivas.
O delegado-operacional que investiga homicídios, Joaquim Melo, afirmou que alguns membros de gangues que foram presos em anos anteriores deixaram a prisão e isso pode ter se refletido no acirramento das diferenças entre os grupos rivais. No entanto, ele não acredita que as gangues voltaram a se enfrentar como ocorria anteriormente, já que a maioria das mortes que investiga tem relação com rixas antigas que, não necessariamente, estão ligadas a grupos rivais. Sobre o homicídio de Lima, ele não deu detalhes para não atrapalhar as investigações.


