Marcos NegriniMenores ficam concentrados na Praça de Patinação, a 300 metros da Catedral Nossa Senhora da GlóriaComerciantes e moradores da avenida Cerro Azul, na área mais nobre de Maringá, estão amedrontados com os frequentes assaltos e ações de gangues. Os comerciantes estão fechando os estabelecimentos mais cedo para evitar os assaltos, e os moradores estão redobrando os cuidados ao caminhar pela avenida. Alguns comerciantes enfrentam problemas com as gangues em pleno dia. Meninos e meninas com idade entre 5 e 16 anos invadem as lojas, jogam pedras e ameaçam os funcionários.
As ações das gangues começaram há cerca de um ano. Desde então, a comunidade fez diversas reclamações à polícia. Há cerca de um mês, a costureira Maria Aparecida Nakahra, 67, foi assaltada à tarde. Ela estava indo à farmácia, a três quadras da casa dela, quando foi abordada por um menino de aproximadamente 15 anos, de bicicleta e bem vestido. ‘‘Quando percebi um barulho atrás de min e virei, pensei que fosse um amigo de meu neto, mas ele foi rápido e puxou a minha bolsa’’. Além de documentos, na bolsa de Maria Aparecida tinham R$ 22,00. ‘‘Se fosse um menino pobre tudo bem, mas eu vi que não era. Ele estava bem vestido e com um boné novo virado para trás’’.
Há 10 dias, a loja de Célia Yamamoto, 38, foi assaltada. A porta de aço foi aberta provavelmente com pé de cabra. ‘‘Foram crianças que entraram aqui porque as marcas deixadas na porta são de mãos pequenas. Além de estourar a máquina registradora, levaram doces e refrigerantes’’. Como medida de prevenção, Célia e outros comerciantes estão fechando mais cedo. ‘‘Antes fechava às 20 horas, mas agora estou fechando no máximo às 18h30 porque não compensa correr o risco de ficar sozinha com a loja aberta’’.
Em outro estabelecimento comercial, uma funcionária que não quis se identificar afirma que os meninos e meninas infernizam os comerciantes. Ela diz que há alguns meses uma gangue estragou a divisória da loja e frequentemente os meninos jogam pedras e ameaçam os clientes. ‘‘Não dá para ficar sozinha aqui, porque as gangues enfrentam a gente a qualquer hora do dia’’, diz.
Os estabelecimentos mais visados ficam próximos da Praça de Patinação, no início da avenida, a 300 metros da Catedral Nossa Senhora da Glória. A maioria dos meninos que cometem os assaltos e praticam vandalismo, se concentram na praça. Comerciantes afirmam que os meninos também costumam perambular pela avenida acompanhados de duas mulheres, xingando e fazendo ameaças por onde passam. A avenida Cerro Azul é a principal via rápida que dá acesso à Zona Dois, um dos bairros nobres de Maringá.

mockup