Gangues impõem medo na zona norte
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terça-feira, 08 de janeiro de 2002
Luciano Augusto 
A criminalidade está tirando o sono de moradores e comerciantes da zona norte de Londrina. Escondidos pelo anonimato, eles se dizem assustados e apreensivos com a recente onda de violência provocada por desentendimentos entre duas gangues rivais, que já deixou dois mortos e 24 pessoas feridas desde o dia 30 de dezembro. O delegado do 5º Distrito Policial, Jorge Barbosa, não descarta a possibilidade de ocorrerem mais mortes.
Uma comerciante que trabalha na avenida Saul Elkind reclamou que a região está abandonada. Isso aqui está parecendo aqueles morros do Rio de Janeiro, afirmou, sem se identificar, porque teme possíveis represálias por parte dos marginais. Segundo ela, há muitos comentários de que outras pessoas estariam juradas de morte.
Uma outra comerciante disse que depois de tudo que aconteceu no bairro não sabe se vai continuar com seu estabelecimento aberto. Aqui era um bairro tranquilo, mas agora a gente nem dorme à noite.
O delegado do 5º Distrito Policial, Jorge Barbosa, revelou que as duas gangues em atrito na zona norte são formadas por pelo menos cinco integrantes cada uma. Gilliard de Souza Botine, 19 anos, foi a última vítima fatal. Ele foi executado no sábado à noite, com sete tiros em frente à Padaria SuperPão, na Rua Brasílio Pereira do Nascimento, a quatro quadras da Saul Elkind. A vítima estava acompanhada pelo pai, Claudio Botine, e por um amigo, conhecido por Tatá. Eles escaparam ilesos. Tatá também estaria jurado de morte.
Segundo o delegado, o crime foi motivado por vingança e teria sido cometido por Édson Araújo dos Santos, o Beronha, de 19 anos. Ele está foragido. Ainda conforme Barbosa, Gilliard já havia prestado depoimento durante a última semana porque ele era o proprietário da perua Kombi, usada para dar apoio ao grupo responsável pelo tiroteio na Lanchonete Ponto Com Você. No tiroteio, Francisnei Alves de Lima morreu e 23 pessoas ficaram feridas. Barbosa comentou que Gilliard negou a participação no crime. 90% dos que fazem parte dessas gangues têm antecedentes criminais, revelou.
A proprietária da padaria onde Gilliard morreu, Durcélia Gomes de Souza, 27 anos, foi ferida num dos pés por estilhaços de vidro de uma estufa, quebrada durante o tiroteio. Ela foi a 24ª vítima. A padaria, que ontem abriu suas portas pela última vez, foi inaugurada há três meses e já havia sido assaltada duas vezes. Assustada, ela e o marido decidiram fechar o estabelecimento.
Vereadores e lideranças da região agendaram para hoje uma reunião para discutir o problema da violência na zona norte. O encontro acontecerá às 19h30, no Colégio Estadual Olympia Morais Tormenta, e contará com a participação do prefeito Nedson Micheleti (PT).


