Marcelo AlmeidaPrisioneiroAntonio de Souza: ‘‘Nós é que ficamos prisioneiros. Não podemos nem sair a pé sem dar de cara com eles’’Os bairros Jardim da Ordem, Moradias Tatuquara e Santa Rita, na região Sul de Curitiba, ainda estão entre os mais violentos da cidade. A instalação do 13º Distrito Policial na região vai completar um ano em abril e a população diz que a violência diminuiu desde então. Mas a ação de gangues de menores de idade continua e, neste caso, a polícia não pode fazer nada.
A Zona Sul da cidade é a mais pobre e a que mais cresce, com um grande número de invasões. A região do 13º DP tem cerca de 150 mil habitantes e o delegado Moisés Américo de Souza Neto considera que já houve uma redução de 40% no índice de criminalidade na região. Os crimes tornaram-se menos violentos e desde que a delegacia foi instalada ‘‘a população se sente mais segura’’, garante o delegado.
Com uma equipe de 12 investigadores, Souza Neto admite que a região ainda é, juntamente com a área do 10º DP, a mais violenta de Curitiba. Segundo ele, a simples presença da delegacia e as rondas intensificadas pela Polícia Militar aumentaram a segurança. Várias quadrilhas foram desbaratadas e agora o trabalho não avança por causa da ação dos menores.
O delegado calcula que mais da metade dos roubos a residências sejam praticados por menores. Há alguns dias houve também um assalto a um caminhão de bebidas e o motorista foi morto pelos adolescentes. ‘‘Chamá-los de menores é até irônico, porque o nível de periculosidade deles é muito alto’’, diz o delegado.
Marcelo AlmeidaAbandonoMaria Silvério: ‘‘Ligamos para o 10º Distrito, mas eles disseram que não havia pessoal para mandar pra cᒒ
Pouco antes da instalação da delegacia, a população do bairro Santa Rita viveu dias de terror. Maria Terezinha Ferreira, 47, e o marido Antonio Darci Teixeira de Souza, 48, tiveram a casa invadida por quatro assaltantes enquanto outros quatro recolhiam objetos roubados na vizinhança, dia 23 de março do ano passado. O ‘arrastão’ passou por oito residências em apenas uma noite, levando pequenos eletrodomésticos e aparelhos de som.
Antonio Darci de Souza levou quatro facadas e Maria Terezinha também foi agredida. Desde a instalação da Delegacia, eles dizem que a situação melhorou, mas ainda temem os grupos de jovens que se reúnem nas esquinas bebendo e fumando maconha sem se esconder. Alguns deles faziam parte do grupo que invadiu a residência do casal e os jurou de morte. Durante alguns meses eles mantiveram a casa eletrificada com 220 W para evitar a entrada de marginais, depois instalaram grades e levantaram os muros. ‘‘Nós é que ficamos prisioneiros. Não podemos nem sair a pé sem dar de cara com eles’’, diz Antonio Darci.
Maria Epaminondas Silvério, 42, havia acabado de se mudar para o bairro. Naquela noite acordou com o barulho da gangue, reuniu os vizinhos e com paus e pedras nas mãos foram atrás dos assaltantes. ‘‘Ligamos para o 10º Distrito, mas eles disseram que não havia pessoal para mandar pra cᒒ, conta. Maria, que trabalha na Polícia Civil há 20 anos, se preparava para a transferência para o novo Distrito Policial. ‘‘Acho que melhorou, mas ainda temos pouca estrutura para tanto trabalho’’, lamenta.

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