Gangues de jovens atemorizam a cidade
Arquivo FolhaDelitoUma das práticas comuns dos jovens é pular as catracas de ônibus, atitude que a polícia vem reprimindo nos últimos mesesGangues de jovens atemorizam a cidade
Na semana passada grupos rivais trocaram tiros na Água Verde. Uma pessoa foi ferida e três integrantes da gangue estão presos
Vivian de Albuquerque
No final da semana passada, um confronto entre duas gangues de jovens, quase terminou em tragédia no Bairro Água Verde, em Curitiba. Armados, cinco integrantes da gangue da Vila Uberlândia, próxima ao bairro, chegaram atirando contra os rivais da gangue da Vila Feliz, que se encontravam no interior de uma lanchonete. Uma briga antiga e que terminou sobrando para uma pessoa que passava pelo local: Gerson Felício Domingues recebeu dois tiros, no braço e nas costas.
Atendida pela Polícia Militar, a ocorrência envolveu quatro viaturas, que durante boa parte da madrugada perseguiram os atiradores. Hoje, três deles estão presos no 8º Distrito de Polícia Civil e dois foram encaminhados para a Delegacia de Menores.
Os detentos, com idade entre 15 e 20 anos, fazem parte da classe média baixa de Curitiba e aparecem nos levantamentos feitos pelo próprio distrito, onde foi registrada a ocorrência.
Segundo os dados, os presos com idade entre 18 e 20 anos, representam 27,44% de um total de 102 detidos na cadeia pública do 8ºD.P. Este percentual chega a 41,16% quando a idade se elevba até 25 anos.
São geralmente pessoas jovens e desocupadas, explica Paulo César Rodrigues, superintendente do 8º Distrito.Pessoas que roubam mixarias como relógios, vales transporte e quantias que muitas vezes nem ultrapassam os R$ 20,00. E o que mais impressiona é que elas normalmente são alfabetizadas e com um bom nível de esclarecimento.
Sem querer falar sobre o assunto os membros presos da gangue, Fernando Souza Rinaldi, 19 anos, Wilson Fernando de Souza, de 20 e Luciano Pacheco, de 19, dizem que foram escrachados, pela Polícia Militar quando foram detidos. E garantem apenas que tudo não passou de um rixa comum entre jovens.
Antes de serem encaminhados à delegacia especializada, os menores passaram pelo o Serviço de Assistência Social do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator. É lá que os números comprovando a escalada de violência entre os jovens são ainda mais significativos. O Centro faz levantamentos desde 1992, quando 2.840 adolescentes passaram pelo serviço por terem cometido os mais variados delitos. No ano passado foram registrados 2.623 casos.
O que se observa é que a maioria dos crimes são realmente cometidos por jovens da classe baixa e empobrecida, explica Francesco Serale, administrador do Centro.Mas existem até casos de homicídio também entre a classes média e alta. O problema é que na maioria das vezes eles nem chegam até aqui, porque os acertos são feitos entre os advogados da própria família.
Segundo o administrador, quando o filho do rico comete um crime, ele é considerado como um desvio de conduta, que deve ser tratado. Já quando o mesmo ato é atribuído a um jovem pobre, ele é um crime indiscutível e deve ser punido.
Há quem diga que a culpa é do Estatuto da Criança e do Adolescente, alegando que afrouxa as penas e serve de incentivo para a prática de crimes, esclarece o administrador. Mas eu não vejo dessa maneira. Enquanto um adulto pode ter a pena atenuada por bom comportamento, o adolescente cumpre toda a condenção que pode chegar aos três anos de reclusão. Ou seja, ele não passa mesmo a mão na cabeça do jovem criminoso. Três anos para um adolescente representam muita coisa.





