Gangue leva pavor à porta de escola
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Luka Morais 
Mário CésarAlertaO diretor Edno Santos mostra uma faca levada à escola por um aluno: Pode haver consequências gravesAlunos da escola estadual Adélia Dionísia de Barbosa, no conjunto Parigot de Souza 3 (zona norte), estão assustados com a ação de uma gangue formada por menores de idade. Segundo os estudantes, os rapazes - com idade entre 16 e 17 anos - costumam permanecer na porta do colégio na saída das aulas do turno intermediário, às 18h30. Além de mexer com as adolescentes, passando a mão pelo corpo delas, roubam objetos dos jovens e fazem ameaças constantes.
A situação, segundo o diretor da escola, Edno Mariano dos Santos, chegou a um ponto crítico: alguns alunos decidiram levar facas de cozinha para o colégio, na intenção de intimidar os integrantes da gangue. Encontramos uma faca no banheiro dos meninos. Eles sabem que a gente fica de olho e acabaram escondendo o objeto lá.
Preocupado, ele diz que os alunos acreditam que, portando uma arma branca, podem evitar a ação da gangue. Isso é muito arriscado e pode ter consequências graves. Segundo o diretor, o grupo formado por menores é grande mas apenas três rapazes costumam ir até o colégio. A escola atende 1.800 alunos em quatro turnos de aulas. Esta semana, o diretor precisou ajudar um aluno, levando-o embora de carro. Quatro integrantes da gangue, que já o haviam ameaçado, estavam próximo ao colégio, esperando ele passar pelo local.
A.M.C., de 12 anos, que estuda no período da tarde, só concordou em ir para o colégio, semana passada, depois de guardar uma faca de cozinha na bolsa, junto com o material escolar. A tia da menina conta que ela está perturbada com a ação dos rapazes. Eles passam a mão nas meninas, falam besteiras, e se alguém olha para eles vão logo ameaçando, dizendo que vão bater.
Ela diz que outros pais estão preocupados com o problema e já procuraram a direção do colégio, sem encontrar uma solução. O diretor disse que já pediu ajuda da polícia mas os policiais chegam lá no colégio, olham pros rapazes e dizem que não podem fazer nada, conta, indignada.
O diretor Edno Santos diz que já contatou a PM e nada foi resolvido. Ele aponta uma alternativa: que os pais acompanhem os filhos que estudam nos períodos intermediário e da tarde na entrada e saída da escola. Como a maioria não tem condições porque trabalha ele pede providências ao comando do 5º Batalhão de Polícia Militar. Precisamos de ajuda.
O comandante do 5º BPM, Marino Ari Burille, disse ontem que desconhece o problema do colégio. Segundo ele, há equipes fazendo rondas pelos colégios mas, em função do elevado número de pedidos, as passagens pelas escolas acabam sendo espaçadas. Ele orienta a direção do colégio a enviar um documento pedindo providência.


