Cascavel - O Colégio Estadual Santa Felicidade tornou-se o mais recente alvo das gangues em Cascavel. Na noite de anteontem, vários tiros interromperam os trabalhos de aula em uma das salas da unidade educacional. Mais de 20 projéteis foram disparados. Quatro deles perfuraram o portão de acesso ao colégio. Outro atingiu uma das janelas da sala de aula no momento em que os alunos do 1º ano do supletivo assistiam a um vídeo pedagógico.
Essa não é a primeira vez que o Colégio Estadual Santa Felicidade sofre com a violência. Há cerca de 30 dias uma bomba de fabricação caseira explodiu em um dos banheiros da instituição. Apesar disso, a orientadora educacional, Janete Madsen, garante que os problemas estão concentrados do lado de fora do colégio. ''Nossos alunos não nos trazem problemas'', diz.
Para tentar impedir a ação de vândalos dentro do colégio, a direção levantou o muro, que agora possui três metros de altura. Janete observa que recursos que poderiam ser investidos em material didático foram investidos em segurança. Ela acrescenta que no momento dos tiros houve pânico entre os estudantes que deixaram a sala imediatamente. ''Tememos que alguns alunos nem queiram voltar para a escola'', frisa.
A Polícia Militar esteve no local, mas não conseguiu identificar o autor dos disparos. Segundo os professores, após a polícia deixar a escola foram ouvidos novos disparos. Pelo número de tiros disparados, Janete acredita que é provável que havia mais de um atirador. O comandante do 6º BPM, tenente-coronel Amauri Ferreira Lima, disse ontem que vai reforçar o patrulhamento no local durante a noite.
Ainda nesta semana um outro caso de violência dentro de escola foi registrado. O aluno Tancredo Fagundes foi agredido por uma gangue dentro do Colégio Estadual Interlagos. Ele afirma que ficou com medo de denunciar a gangue à polícia, mas frisa que se todos se calarem ''os infratores tomarão conta do colégio''.
A chefe do Núcleo Regional de Educação, Ana Maria do Nascimento, lamenta que alguns diretores de escolas têm medo de denunciar os casos de violência à polícia. ''O papel da direção é de se reportar à polícia quando esses fatos acontecem, caso contrário as gangues determinam que entra e sai na escola'', conclui.

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