Quem não sabe de nada, não quer nem ouvir falar. Quem sabe de alguma coisa, prefere esquecer. Nos últimos meses, é assim que os moradores dos jardins João Turquino e Maracanã (Zona Oeste de Londrina) têm se protegido de uma gangue comandada por um traficante que já contaria com cerca de 30 membros. A última ação do bando teria sido o assassinato do comerciante João Bassant Fabrício, 42 anos, baleado anteontem, dentro de um mercado. O sepultamento aconteceu ontem em Campo Largo.
  Na tarde de ontem, a FOLHA percorreu algumas ruas dos dois bairros. De longe, a impressão é que quem mora na região mantém uma rotina de aparente tranqüilidade. Mais de perto, no entanto, a realidade é bem diferente. Com poucas palavras, a maioria diz não saber de nada e que a vida segue o ritmo do lugar. Apenas alguns poucos corajosos vencem o medo e deixam escapar que morar por ali é uma decisão arriscada e perigosa.
  No anonimato, um morador antigo denunciou à reportagem que nos últimos meses uma gangue composta por cerca de 30 pessoas – entre adolescentes e adultos – teria intensificado os furtos, assaltos e ameaças contra, principalmente, comerciantes. ‘‘Eles passam o dia juntos em frente a uma casa na Rua Isabel Guilhen Garcia, no Turquino’’, detalhou a pessoa. A gangue seria comandada por um criminoso conhecido como ‘‘Nando’’, que estaria ‘‘se vangloriando’’ de ter sido o autor dos disparos que vitimaram o comerciante. O rapaz foi ouvido ontem pelo delegado-operacional do setor de homicídios, Jayme José de Souza, e negou tudo. A polícia também não confirmou a suspeita de que a motivação do crime teria sido uma denúncia feita pela vítima contra membros da gangue.
  Os jardins João Turquino e Maracanã já figuraram como um dos mais violentos de Londrina no início desta década, com moradores expulsos de casa, comerciantes achacados e freqüentes homicídios. Desde 2003, no entanto, uma família conhecida como ‘‘Turma do Ema’’, que estaria por trás dos crimes foi presa, os bairros foram urbanizados e houve um período de relativa paz, quebrada agora pelo surgimento desta nova gangue. Há cerca de seis meses, até o Posto de Saúde do Maracanã ficou fechado por três dias depois que o vigia da unidade sofreu ameaças de morte.
  O relações-públicas do 5º Batalhão da PM, tenente Fernando Bonifácio, informou que o patrulhamento na região foi intensificado no final do ano mas não soube precisar se a estratégia se mantinha. Sobre possíveis denúncias em relação ao homicídio do comerciante, ele alegou que não poderia passar detalhes para não atrapalhar as investigações.

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