O delegado-chefe da Divisão Policial do Interior, Clóvis Galvão, esteve ontem em Londrina, mas não se reuniu com o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Pedro de Jesus Colaço. Galvão havia anunciado, anteontem, que estaria na cidade para discutir com Colaço a probição de acesso da imprensa aos boletins de ocorrência (BO), mas acabou apenas ‘‘tendo uma longa conversa por telefone para ficar a par do que estava acontecendo’’.
Segundo Galvão, que ficou apenas uma hora em Londrina antes de embarcar para Curitiba (havia visitado Paranavaí e Rolândia), as explicações de Colaço foram esclarecedoras. ‘‘Pelo que ele me disse só estão restritos os boletins que as vítimas não querem a divulgação. E essa é uma postura correta’’, afirmou Galvão, em entrevista por telefone.
‘‘Ele disse que vai entrar em contato com os veículos (de comunicação) para que deixem papéis (na delegacia) para a impressão dos boletins’’. Isso contraria opinião de Colaço, que já havia considerado ‘‘vexatório’’ receber material da imprensa. Questionado, Galvão foi categorico: ‘‘Vai aceitar, sim’’.
Quanto à sala de imprensa, desocupada anteontem, Galvão disse que ‘‘é uma medida puramente administrativa’’. ‘‘Fico até meio constrangido em falar porque eu criei a sala quando trabalhei aqui’’, explicou.
A Folha constatou ontem que o acesso aos documentos continuava limitado. as ocorrências – autorizadas ou não – haviam sido recolhidas e encaminhadas ao setor de estatísticas. O motorista de uma empresa de transporte, que foi roubado e perdeu cerca de R$ 3 mil, falou sobre o caso com os repórteres em frente à delegacia. Mesmo ele confirmando que não se importava com a divulgação, o BO não foi encontrado pela reportagem.
O delegado-adjunto da 10ª SDP, Jurandir Gonçalves André, repassou ontem à Folha, uma ‘‘síntese’’ dos BOs registrados em um período de 24 horas. (Colaborou Emerson Dias).

mockup