Curitiba

Fotos: Albari Rosa





Alto riscoGalpão tem milhares de galões com resíduos de indústrias de outros Estados (foto de cima). Lixo foi trazido para a Região Metropolitana em maio do ano passado, pela Transportadora Santa Felicidade, que presta serviços à Ambiência Engenharia de Recursos Ambientais, empresa de São Paulo que reúne lixo químico. A empresa pediu autorização para retirar os galões dali poucos dias depois, mas só agora obteve resposta do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Muitos dos galões estão vazando (foto do meio). Prédio fica às margens da BR-116 (foto de baixo).


Um grande volume de lixo industrial, proveniente de vários Estados e suficiente para encher dezenas de caminhões, está armazenado há um ano e quatro meses num galpão em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, sem que os órgãos ambientais tomem qualquer providência. A Folha apurou que o material foi armazenado de forma inadequada, oferece risco de explosão e pode causar efeitos tóxicos para o meio ambiente e pessoas que se aproximem do local.
Os resíduos foram trazidos para a Região Metropolitana em maio do ano passado, pela Transportadora Santa Felicidade. Ela presta serviços à Ambiência Engenharia de Recursos Ambientais, empresa com sede em São Paulo que recolhe resíduos industriais com poder energético em vários Estados. Os resíduos são levados para fábricas de cimento, que usam o material como combustível, associado a carvão ou derivados de petróleo.
Na RM de Curitiba, o destino é a Votoran, em Rio Branco do Sul. Segundo o diretor comercial da Ambiência, Cid Parigot de Souza, problemas técnicos na fábrica impediram que o material recolhido em maio de 1996 fosse levado diretamente para a Votoran. Foi então alugado um galpão às margens da BR-116 para armazenar o produto. A Ambiência pediu autorização para o transporte poucos dias depois, mas só agora obteve resposta do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
O que deveria ser temporário arrastou-se por 16 meses, colocando em risco a população que vive perto do galpão. O chefe do Departamento de Fiscalização e Controle de Poluição do IAP, Altamir Carlos Lopes, diz que o barracão foi lacrado e ‘‘não há condições de acesso ao local’’. Na realidade, há frestas na porta que permitem a entrada com facilidade e vários galões apresentam vazamento.
Lopes e Parigot de Souza também garantem que o produto armazenado não oferece riscos, mas no próprio IAP há quem conteste essa versão. A Folha apurou que a falta de ventilação no galpão e a forma como os galões foram empilhados tornam o risco imprevisível.
A Ambiência chegou a ser autuada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) pelo fato de ter colocado os resíduos no galpão sem ter licença para isso. O chefe do escritório do IAP em Curitiba, Romão Kawa (que assinou a autuação), diz que ‘‘a maioria dos resíduos é de classe um, ou seja, perigosos para o ambiente e as pessoas’’.
Segundo ele, resíduos produzidos pela Rhodia, de São José dos Campos (SP), podem pegar fogo. ‘‘Embora no estado natural eles não sejam inflamáveis, com as condições de temperatura e a evaporação podem se tornar perigosos’’, afirma. A própria Rhodia, preocupada com a destinação inadequada do produto, mandou representantes procurarem o IAP em agosto, pedindo providências.
Além dos resíduos da Rhodia, há no galpão lixo industrial proveniente de empresas como a Firestone (de Santo André/SP), a Eveready (São Paulo), a Cyanamid Química (Resende/RJ) e a Tereftalico Indústrias Químicas (Paulínia/SP).

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