Cocoricó... A madrugada ainda é alta mas lá estão eles, os galos do Bosque Central de Londrina, anunciando à exaustão a alvorada que ainda nem teve força para clarear a noite. Ao primeiro sinal, o resto da bicharada se põe em atividade e recomeça a jornada de mais um dia à caça de comida. É, mas a algazarrada está com os dias contados, porque os humanos reclamam sossego para poder sair descansados pela manhã em busca da mesma coisa que os vizinhos bichos: sobrevivência. Diante do impasse, vale a lei do mais forte e as aves deverão pagar um preço alto por insistirem em habitar a última nesga de verde em meio ao tecido urbano da região central da cidade.
A Prefeitura Municipal, instituição investida da autoridade legal para dirimir a disputa por território, garante que ouviu muita reclamação de moradores vizinhos do Bosque, revelou o coordenador de varrição e manutenção de prédios públicos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gilmar Domingues Pereira. Ele contou que até uma gestante, prestes a dar à luz, disse que o piado incessante das pequeninas aves perturbam tanto que impedem o sono da família. Conforme o interlocutor oficial, foram contadas 15 aves adultas e mais cinco pintainhos, mas a estimativa é que haja de 20 a 25 exemplares. Com o aumento da população, os trabalhadores que cuidam da limpeza do espaço disseram ter encontrado carcaças de animais mortos.
Diante de tamanho enrosco, a Companhia está montando uma minuciosa operação de guerra para capturar os garnizés. A ideia é por fim à fuzarca, capturando as aves e transferindo-as para o Parque Arthur Thomas (Zona Sul). Mas os galos já perceberam que vem chumbo grosso pela frente. Na noite de anteontem, a turma foi surpreendida ainda em seus puleiros pelo pessoal da varrição. Armados com redes, os ''soldados'' correram para um lado, correram para outro, fuçaram em tocas, escalaram árvores, se jogaram ao chão, gritaram, assoviaram, correram mais um pouco... Depois de uma hora de batalha, sete ''inimigos'' foram capturados.
Mas, depois de muita correria e suadouro, os captores receberam uma contraordem: liberar imediatamente as aves. Isso porque a barulheira dos garnisés acabou chamando muito a atenção da vizinhança e, por isso, teve que ser abortada até que a operação de remoção possa ser, de fato, deflagrada. Mas Domingues avisou a quem interessar possa que os galos vão sim ser levados para o Arthur Thomas, embora até para ele o lugar não seja o mais indicado. ''Lá eles terão disputar território com outros animais e enfrentar predadores'', avisou o coordenador da CMTU. Enquanto a data da transferência não é acertada, as pequenas aves de penas salpicadas de branco, preto e marrom vão continuar piando no bosque e anunciando cada nascimento de um novo dia.

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