Morador em Maringá há mais de 30 anos, o representante comercial, Wedson Pereira Geremias, 42, está indignado com o abandono do Bosque Dois, maior reserva ecológica da cidade. Ele critica principalmente a última obra realizada na reserva há cerca de dois meses, quando foram colocados novas tubulações nas galerias pluviais com o objetivo de aumentar a vazão da água para o interior do bosque.
Conforme Geremias, com a ampliação da tubulação, a vazão da água aumentou consideravelmente o que tem provocado novos pontos de erosão no interior da reserva. ‘‘A prefeitura aumentou a tubulação das galerias pluviais para resolver o problema de alagamento na Avenida Perimetral quando chovia, mas não se preocupou com o impacto ambiental desta medida’’, disse. Segundo ele, nos últimos 60 dias, uma pequena voçoroca no interior do bosque, na parte abaixo da Avenida Perimetral aumentou cerca de quatro metros em função do aumento de volume de água na reserva. Além disso, conforme Geremias, o Bosque Dois está sendo contaminado por resíduos jogados frequentemente através de redes de esgoto clandestinas que desembocam em seu interior.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Maringá, Marino Gonçalvez, a ampliação da galeria pluvial foi necessária para acabar com o problema de água empossada sobre a Avenida Perimetral. Ele disse que o problema surgiu a partir da construção da pista de caminhada em torno da reserva, ano passado. ‘‘Com a impermeabilização do solo, a água da chuva não tinha para onde ir e por isso ficava empossada na avenida. As tubulações foram colocadas para facilitar a vazão da água e não há outra medida a ser tomada no local’’. Conforme Gonçalvez, um estudo técnico já foi solicitado à Universidade Estadual de Maringá (UEM) para levantar os problemas e quais as alternativas de saneamento do Bosque Dois.
Conforme Gonçalvez, o impacto da água no interior da reserva foi previsto e reduzido com a construção de duas caixas de contenção abaixo das galerias pluviais. ‘‘O que pode estar ocorrendo é que as caixas não estão sendo suficientes para conter o volume da água’’, justificou. Com relação às redes de esgoto clandestinos dentro do bosque, Gonçalvez afirmou que a secretaria está rastreando os despejos para identificar os responsáveis.

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