Cerca de 50 convidados, entre membros do poder público e patrocinadores, assistiram ontem à primeira apresentação do filme Gaijin 2, rodado em Londrina pela cineasta Tizuka Yamazaki. A cópia apresentada ontem, no Centro de Eventos (onde está sendo realizada a Casa Japão) é a versão definitiva mas ainda faltam detalhes técnicos para estréia, como dublagem e decupagens de algumas cenas. A estréia nacional do filme está marcada para o dia 4 de março de 2005 com a distribuição de 100 cópias.
Segundo a cineasta, a apresentação foi uma espécie de prestação de contas do trabalho. ''A gente tinha que dar uma resposta para o prefeito (Nedson Micheleti), empresários, enfim quem contribuiu com o filme'', comenta. O projeto Gaijin 2 já completou oito anos. ''Como optamos por um filme histórico o processo é muito longo, pelo menos três vezes mais longo e três vezes mais caro'', disse.
Em duas horas de imagens, Gaijin 2 mostra a saga de três gerações de uma família de imigrantes japoneses tendo Londrina como cenário. A jardineira que levava os pioneiros depois do rio, a derrubada das florestas, a geada de 1975 e o vermelho forte da terra. Tudo registrado.
Entre os convidados da exibição, uma simpática senhora era toda sorrisos: dona Aya Ono, 76 anos. Ela é uma das londrinenses que participaram das filmagens. Nas telas, mais ou menos a partir da metade do filme, dona Aya encarna com perfeição e um carisma inesperado para uma principiante de quase 80 anos, a matriarca da família, a batian.
''A gente fica feliz em ver, né'', comenta. A história das telas, aliás, não é muito diferente do que dona Aya viu quando chegou em Londrina há 60 anos. Ela conta que em pelo menos uma das cenas a que a personagem recusa com firmeza uma oferta para vender as terras veio do coração. ''Lembro como foi sofrido comprar o sítio, muito trabalho, quando falei aqui não vendo (no filme), sei como é que era falei com o coração mesmo'', afirma a senhora que ainda mora no sítio da família.
Não foi só dona Aya que se emocionou com as cenas. Membros da colônia e outros convidados não esconderam as lágrimas. ''É um filme belíssimo, acho que todo o Norte do Paraná vai se sentir espelhado'', comentou, emocionado, o prefeito Nedson Micheleti (PT).

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