Gagueira é curável, afirma especialista
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domingo, 09 de novembro de 1997
Osmani Costa Londrina 
Dorico da SilvaProblemas da falaA professora da USP Claudia de Andrade: Gagueira não é doença A gagueira não é uma doença, mas sim uma desordem da comunicação humana completamente curável desde que tratada de forma adequada. Esta afirmação é da fonoaudióloga e professora da Universidade de São Paulo (USP), Claudia Regina Furquim de Andrade, que esteve nos últimos dias em Londrina participando como conferencista do 1º Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial, promovido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Norte do Paraná (Unopar).
A doutora em Fonoaudiologia falou sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e os tratamentos da gagueira na infância e na fase adulta. Segundo Claudia de Andrade, as principais causas da gagueira têm origens hereditárias, seguidas das psicológicas e sociais. Cerca de 60% de gagos herdaram essa disfunção oral de pais, mães, tios, avós e outros familiares. Perto de 20% são consequência de problemas sociais, e os demais 20% advêm de questões psicológicas, comenta.
De acordo com dados do Ministério de Saúde, aproximadamente 3% dos brasileiros - cerca de 4,5 milhões de pessoas - sofrem de algum tipo de distúrbio da fala. A professora da USP explica as principais questões psicológicas e sociais que levam à gagueira: Normalmente, ela ocorre em pessoas inseguras, ansiosas e com baixa resistência a frustrações. Do ponto de vista social, ela atinge indivíduos quem têm dificuldades de relacionamento e tendem ao isolamento; além do que sofrem grande exigência da família - que não respeita a fala natural - para que falassem corretamente. Esta pressão é muito ruim.
Claudia Regina de Andrade informa que a fase mais importante para o diagnóstico e tratamento da gagueira é entre os 3 e 7 anos de idade. É neste período que ocorrem 68% dos casos de desordem da comunicação e dificuldades orais. Outros 27% são detectados antes de a criança completar 3 anos. Apenas 5% aparecem depois dos 7 anos completos, garante a professora da USP.
Todos os tipos de gagueira - independentemente da causa ou do grau do problema - são completamente curáveis com base em tratamento terapêutico que dispensa a utilização de remédios e equipamentos. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maior e mais rápido vai obter o sucesso desejado. É lógico que o tratamento escolhido vai depender do grau de severidade da disfunção, ressalta Claudia de Andrade. O tratamento é também mais fácil nas crianças, onde o resultado depende 80% da participação da família. Só em casos raros, mais complexos, o fonoaudiólogo necessita do apoio de psicólogo, neurologista ou outro profissional da área médica.
Ela alerta sobre a importância da família e do médico pediatra estarem atentos aos primeiros sinais da gagueira. Apesar de 75% das gagueiras notadas entre os 3 e 7 anos de idade serem disfunções passageiras, é necessária a checagem de cada caso por profissional especializado, para que ele não se torne uma gagueira crônica, afirma Claudia de Andrade.
De acordo com a fonoaudióloga, os tratamento terapêuticos mais comuns baseiam-se na utilização de técnicas de relaxamento, na padronização respiratória e em exercícios e procedimentos de fluência da oralidade. Nunca é usada a prescrição de medicamentos. Nenhuma das drogas testadas até hoje deu resultado positivo na cura da gagueira. Os equipamentos - bastante utilizados nos Estados Unidos, por exemplo - também não acrescentam muito aos resultados conseguidos pelo tratamento terapêutico, e são caros. Por isso, estão pouco presentes no Brasil, diz a professora da USP. A duração do tratamento varia de poucas semanas a alguns meses, dependendo da seriedade do distúrbio e de fatores e externos e internos específicos de cada gago.


