SANTA CRUZ DO MONTE CASTELO - Cerca de 100 famílias sem-terra que invadiram a fazenda Junqueira, em Santa Cruz do Monte Castelo (90 quilômetros de Paranavaí), aprisionaram 2.100 cabeças de gado numa pequena área da propriedade para protestar contra a morosidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na liberação da área para assentamento. A fazenda pertence a Octávio Junqueira Leite de Moraes e tem 803 alqueires. Os sem-terra fecharam as porteiras da fazenda e estão impedindo a entrada de funcionários e do proprietário.
A fazenda foi invadida pela primeira vez em agosto do ano passado. Em outubro as famílias se retiraram da área, mas há 15 dias voltaram a ocupar a sede da propriedade. Segundo Moraes, os sem-terra o expulsaram da fazenda na última quarta-feira. ‘‘Eles praticamente me enxotaram da fazenda. Expulsaram também o promotor de Justiça, o comando da Polícia Militar, oficial de Justiça e os funcionários da fazenda’’, disse.
Segundo ele, os sem-terra não estão alimentando o gado. ‘‘O gado vai morrer de fome porque eles estão em uma área muito pequena para o número de animais’’, explicou. Conforme apurou a Folha, os sem-terra teriam se comprometido a alimentar o gado até segunda-feira.
A juíza Elisabeth Khater, de Loanda, enviou anteontem um ofício ao secretário de Segurança do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, solicitando o reforço imediato de policiais para retirar os sem-terra da fazenda. No ofício, a juíza alega que o mandato liminar de reintegração de posse garantido ao proprietário deve ser cumprido ‘‘sob pena de cometer crime de desobediência’’.
Moraes garantiu que o Incra já vistoriou a área e deu parecer comprovando produtividade. Dos 803 alqueires, 20% é reserva natural. Conforme a Polícia Militar de Loanda, os sem-terra estão pressionando para que o Incra libere a área para reforma agrária. O proprietário da área enviou ofícios esclarecendo os acontecimentos na fazenda Junqueira e pedindo uma solução rápida para o impasse ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e ao governador Jaime Lerner. A Folha não localizou ontem nenhum representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região de Santa Cruz de Monte Castelo.

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