Com larga experiência no acompanhamento de catástrofes naturais e humanas, o ambientalista e deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), 59 anos, criticou ontem o trabalho da Petrobras na prevenção do acidente na Repar e no controle de suas consequências.
Segundo ele, faltou treinamento de funcionários e investimento em equipamentos e em um plano de segurança. Gabeira, que está na região desde anteontem, concedeu a seguinte entrevista à Folha, pouco antes de sobrevoar, de helicóptero, a área afetada pelo derramento de óleo:
Folha – Como o senhor avalia a atuação da Petrobras nesse acidente?
Fernando Gabeira –A Petrobras foi imprevidente. Não tinha um plano de contingência, não possuía equipamentos adequados e nem treinamento de funcionários para uma situação como essa. Não houve uma articulação inicial para conter o óleo antes de ele chegar ao Rio Barigui ou, já no rio, conter seu avanço. A Petrobras não merecia ter recebido o ISO-14001.
Folha – Os equipamentos utilizados até agora foram adequados?
Gabeira – Não. Usaram em rios equipamentos específicos para mar, que tem características diferentes, sendo que temos paradigmas para esse tipo de trabalho desenvolvidos nos Estados Unidos. Além disso, o Paraná tem empresas que possuem estoques de material para absorver o óleo, que não foram aproveitados.
Folha – Na sua opinião, o esquema de segurança na refinaria é infeficaz?
Gabeira – Sim. Há um software desenvolvido em Sertãozinho (SP), que integra um sistema com sensores que detectam alterações de pressão nos dutos e desligam os equipamentos automaticamente. Se estivesse sendo usado, esse sistema desligaria o bombeamento do óleo um minuto depois de iniciado. O vazamento simplesmente não teria ocorrido.
Folha – Quais serão as consequências do acidente à flora e fauna da região?
Gabeira – É cedo para avaliar. Mas o Rio Iguaçu tem 56 espécies de peixes, das quais muitas só se desenvolvem ali, como seis tipos de lambaris. Tudo isso vai ser profundamente afetado.

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