Londrina – O gramado do aterro do Lago Igapó, em Londrina, se tornou um campo de batalha no final da manhã de ontem. Armados com tinta, ovo e farinha, veteranos e amigos deram as boas-vindas aos futuros calouros da Universidade Estadual de Londrina (UEL). No entanto, o clima era de festa com trotes amistosos. A divulgação dos aprovados no vestibular 2014 da instituição ocorreu ao meio-dia, com a distribuição do caderno especial produzido pela Folha de Londrina.
Antes da divulgação, centenas de candidatos assistiram a shows para amenizar a ansiedade. Assim que os jornais começaram a ser distribuídos, eles corriam os olhos rapidamente pelas tabelas à procura do nome. Ao primeiro sinal de comemoração, o banho de ovo e farinha era quase imediato. Só ficou triste quem não se sujou. Eles deixaram o aterro prometendo tentar novamente uma vaga no próximo vestibular.
Lucas Gabriel de Oliveira, de 17 anos, foi um dos primeiros a soltar o grito de aprovado. No primeiro vestibular que prestou, ele garantiu uma vaga no curso de Educação Física. "Depois de um ano de tensão e uma rotina intensa de estudos no colégio e cursinho, a aprovação tira todo um peso das costas", comemorou. Outro que passou no primeiro vestibular prestado - Engenharia Civil - foi Pedro Silva Mendes, de 18. "Demora pra cair a ficha, mas agora é só comemorar e esperar o início das aulas para retomar a rotina de estudos."
Entre os professores dos cursinhos, a sensação era de dever cumprido. O professor Jamil Hatti, de 72, do cursinho Sigma, comemorou com os alunos. "É um trabalho revigorante. Cada turma que se forma é uma energia nova que recebemos. O orgulho em ver estes profissionais formados é muito grande", comentou. Já o professor Vinícius Montai, do cursinho Med Smart Anglo, destacou o bom desempenhos dos alunos. "O índice de aprovação foi significativo. É a prova que o esforço dos alunos e professores valeu a pena", comemorou.
Um vaga de um dos cursos mais concorridos, Direito, ficou com Vitória Gomes Gonçalves, de 17. Estudante do Colégio Estadual Hugo Simas, ela conseguiu a aprovação sem cursinho. "Esta foi a consagração de um plano de vida. Sempre estudei em escola pública com foco no vestibular. Hoje posso dizer que consegui", frisou. Gustavo Ninho, de 18, já cursava o primeiro ano de Jornalismo em uma instituição particular, mas com a aprovação na UEL, vai fazer a transferência. "Da primeira vez não consegui, então estudei mais e passei. Quem não foi aprovado desta vez não pode se deixar abater", aconselhou.
A festa para os calouros foi organizada em parceria entre a FOLHA, Portal Bonde, Rede Massa e Massa FM. Foram convocados 3.090 candidatos em 66 cursos de graduação. Os aprovados devem fazer a pré-matrícula entre 9 e 12 de janeiro no site www.uel.br/portaldoestudante. As atividades acadêmicas na UEL começam em 3 de fevereiro.

Detentos
Entre os aprovados, houve quem não pôde comparecer à festa: cinco internos do sistema prisional. Três deles da Penitenciária Estadual de Londrina 2 (PEL 2), um da PEL 1 e um do regime semiaberto do Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon). O resultado foi bastante comemorado pelos organizadores do cursinho pré-vestibular prisional. Dois detentos foram aprovados em Enfermagem, um em Direito, um em Matemática e outro em Serviço Social. Ao todo, 47 presos prestaram o vestibular.
De acordo com o diretor da PEL 1, João Victor Fujimoto, o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Katsujo Nakadomari, estuda um meio para que os presos do regime fechado possam cursar as aulas na universidade. "São internos com bom comportamento, responsáveis pela biblioteca e outros setores. Acredito que merecem a chance da ressocialização, que é nosso principal papel."
Fujimoto espera que o cursinho, realizado pela primeira vez este ano em parceria com a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), se torne permanente. "Desta forma podemos aumentar os índices de aprovação", planeja.

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