Futuro de engraxates é incerto
A terceira quadra do Calçadão será reformada em breve e é justamente neste espaço que trabalha um grupo de 22 engraxates. De acordo com Giani Lopes Tsurura, voluntária e advogada da Liga dos Engraxates, até agora não se sabe quais são os projetos da prefeitura para o grupo. ''Nós queremos manter os meninos trabalhando. Se for preciso mudaremos o local de atendimento deles enquanto durarem as obras, mas a ideia é voltar àquele espaço quando a quadra for entregue'', disse.
Ela afirma que o trabalho da Liga chegou a ser questionado na Justiça. ''Acreditamos que é melhor manter os meninos trabalhando como engraxates do que entregá-los para o tráfico de drogas'', desabafou. Giani afirma que todos os jovens são menores de idade e, para participar do grupo, eles precisam estudar. Além disso, são realizadas uma reuniões frequentes com as mães para acompanhar as famílias e o andamento dos jovens na escola.
Os meninos que integram o grupo conseguem ganhar cerca de R$ 500,00 por mês. ''Há muitas mães que nos procuram porque querem que seus filhos façam parte da liga, mas não podemos pegar mais nenhum'', lamentou a advogada. Ela afirmou que a ''base'' do grupo é uma sala emprestada pela Catedral Metropolitana e que com a ajuda da igreja é possível pagar uma cozinheira que prepara café da manhã e almoço. ''Os alimentos nós compramos graças à colaboração da equipe do bazar de roupas usadas'', explicou.
Segundo ela, os meninos fazem uma escala e cada um trabalha entre três e quatro horas por dia, para que haja tempo de se dedicar aos estudos. Ela afirmou que pretende marcar uma reunião com o prefeito Barbosa Neto em breve para discutir o assunto. (M.A.)





