FUTURO - Envelhecimento exige mudança de atitude
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de agosto de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
O IBGE deu início, na semana passada, à sua decenal contagem da população em todo o país e confirmará uma tendência detectada ainda no século XX: os brasileiros estão vivendo mais. Pesquisas apontam que a esperança de vida ao nascer no Brasil subiu de 69,66 (69 anos, 7 meses e 29 dias) em 1998 para 72,86 anos (72 anos, 10 meses e 10 dias) em 2008. No Paraná, a expectativa de vida é de 74,6 anos e os homens vivem, em média, seis anos menos que as mulheres.
No censo de 1900, a expectativa de vida do brasileiro era de apenas 34 anos. Já em março de 1969, quando se esperava que uma pessoa nascida no Brasil vivesse, em média, 50 anos, a revista Realidade, a mais importante daquela época, destacava: ''hoje há mais velhos no mundo que em qualquer outra época. Mas a sociedade os rejeita, os acusa e não lhes permite ser cidadãos úteis e integrados''. E agora, no século 21, como vivem os idosos?
Projeção do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) estima que os idosos deverão somar 1.155.824 pessoas no Estado ao final deste ano. Em dezembro de 2008, o total de paranaenses com 60 anos ou mais era de 1.099.274 (10,3% da população). Na contramão das tendências, as políticas públicas não conseguem garantir qualidade de vida a todas estas pessoas. O que esperar do futuro? Os desafios serão maiores ainda em áreas como sa© úde, mobilidade urbana, educação, previdência, lazer.
Pesquisadora de geografia das populações do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Giselene Santos analisa que é preciso agir para garantir cidadania aos mais velhos, principalmente nas cidades - onde está a maioria deles. ''As cidades são para o consumo, para circulação de bens, mas a possibilidade de conviver para o diverso não existe. Se insistirmos neste modelo, que não valoriza a verdadeira riqueza das cidades (a diversidade de pessoas), a condição do idoso será muito difícil.''
A estudiosa afirma que a mudança do perfil do idoso - continuará trabalhando, consumindo, estudando - exigirá que as políticas avancem em todas as direções e trabalhar para integração entre todas as faixas etárias. ''Não basta pensar no idoso apenas com políticas assistencialistas. Tem que pensar o homem em sua completude.''
Sem romantismo
Vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (Cedi) e coordenador da política estadual à pessoa idosa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Rubens Bendlin também avalia o cenário atual sem romantismo. ''A sociedade discrimina barbaramente o idoso, que é visto como um estorvo e não como um dos maiores patrimônios que um povo pode ter, pelo conhecimento acumulado que tem'', reforça. Nos sete anos do Disque Idoso Paraná (0880-41-0001), 22 mil denúncias foram feitas, sendo que 34% delas têm relação com maus tratos.
Segundo Bendlin, isso revela a falta de uma rede integrada de atenção e proteção ao idoso. Ele pontua que apenas cerca de 150 dos 399 municípios paranaenses contam com o conselho do idoso que, além de lutar por essa população, dá direito aos repasses de recursos do Fundo Nacional do Idoso.


