Futura médica trabalha como frentista
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de dezembro de 1997
Lucília Okamura Londrina 
Mário CésarBico universitárioA estudante e frentista Dânia Vanço: O primeiro lugar em que vim pedir emprego foi o posto A estudante Dânia Etiane Vendramini Vanço, 19 anos, passou, em julho deste ano, no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para o curso de Medicina. Enquanto as aulas não começam, no final de fevereiro, ela encontrou um jeito diferente para passar o tempo e conseguir dinheiro: trabalhar como frentista.
Não gosto de ficar parada. E, além disso, economizo um dinheiro para comprar os livros do curso, justifica. Como sempre gostei de carro, o primeiro lugar em que vim pedir emprego foi o posto, explica. Ela começou a trabalhar no posto Moringão, na avenida Juscelino Kubitschek (área central), em agosto.
Dânia Vanço confessa que nunca tinha trabalhado antes e teve que aprender a abastecer, verificar o nível do óleo, calibrar os pneus. Aprendi muita coisa, principalmente no contato com os clientes.
Todos que ouvem a sua história se surpreendem, inclusive o proprietário do posto, Carlos Henrique Messas, que resolveu dar-lhe o emprego, mesmo sem estar precisando de funcionários. Quando ela contou que queria trabalhar para comprar livros para o curso, ela nos impressionou pela sua dedicação e por aceitar um emprego braçal, ressalta.
Carlos Messas diz não ter se arrependido de contratá-la. Ela é bastante dedicada, está sempre sorrindo e aprendeu tudo depressa, afirma. Além disso, ele explica que a estudante serve de exemplo aos outros funcionários. Alguns deles se animaram e voltaram a estudar, conta.
A estudante fica trabalhando até o final de janeiro e acredita que conseguirá juntar um bom dinheiro. Sou bastante econômica, afirma. Seu salário gira em torno de três salários mínimos. Ela diz que irá sentir saudades do emprego. Vou sentir falta do pessoal, já que todos são meus amigos agora, e também desse contato com os clientes. Como o curso é integral, ela não poderá conciliar os estudos com o emprego.
Dânia Vanço passou no vestibular em sua quarta tentativa, enfrentando uma concorrência de 118 candidatos por vaga. Ela diz que sempre quis estudar Medicina. E tinha esperança de passar porque a cada vestibular eu melhorava.


