Futebol traz vida nova para adolescentes
Paulo WolfgangLonge das drogasSandra Santos, 16 anos, em ação: Sem o futebol, acho que hoje eu estaria no 2º Distrito PolicialDuas vezes por semana, adolescentes de famílias carentes da zona leste de Londrina treinam futebol feminino em um campinho da Prefeitura, no jardim Ideal. Elas têm entre 13 e 19 anos e começaram a jogar futebol há cerca de seis meses. Todas afirmam que o esporte serviu de apoio para voltar a estudar, conseguir emprego e até para abandonar as drogas.
É o caso de Sandra Luis dos Santos, 16 anos, que fumava maconha desde os oito anos. Todo dia eu estava usando drogas, revela. Há cerca de seis meses, ela foi convidada pelo técnico e responsável pelo time, Flávio Gonçalves, para jogar futebol. Na hora ainda fiquei na dúvida, porque a condição para eu entrar no time era deixar as drogas, conta a jovem Sandra. Mas como adoro futebol, disse que ia tentar largar.
Sandra dos Santos diz que sempre quis fazer parte de algum time, mas nunca teve oportunidade. Daí eu fumava também para fugir da realidade, observa. Ela foi abandonando as drogas gradualmente e afirma que hoje não sente falta delas. Se o futebol não tivesse aparecido na minha vida, acho que hoje eu estaria no 2º Distrito Policial - se referindo à delegacia para onde são encaminhados menores infratores.
Torcedora fanática do Corinthians, como gosta da ressaltar, Sandra dos Santos é a atacante, capitã e vice-diretora do time que, por enquanto, é chamado de Ação Sociedade Esporte Clube. Meu sonho é sair daqui e ir para um time maior, mostrar o meu talento, afirma.
Incentivada pelo técnico, a jogadora resolveu voltar a estudar neste ano e se matriculou em uma escola próxima ao bairro onde mora, no jardim Interlagos. Ela havia parado na 6ª série do 1º grau.
Quem também se animou a estudar é Francisca Valim, 14 anos, que joga como centroavante no time. Eu nunca tinha ido para a escola, mas este ano me matriculei porque sem estudo não dá nem para conversar com os outros. Ela conta que foi convidada a jogar pelo técnico do time e diz que está valendo a pena. Sempre gostei de futebol, resume ela, torcedora do Palmeiras.
O técnico Flávio Gonçalves diz que conseguiu emprego para algumas meninas e que 70% das jogadoras do time estão estudando. Segundo ele, é preciso mais apoio para empregar outras adolescentes e até para matricular as restantes. Elas vêm de famílias carentes que não tem dinheiro nem para tirar a foto usada na matrícula.
Flávio Gonçalves diz que resolveu ensinar futebol para as meninas porque via que elas ficavam só nas ruas. Eu me identificava porque quando fui moleque também era rebelde, ficava dias fora de casa e fumava maconha. Por isso eu me preocupei em ajudá-las, conta. Hoje ele mora no jardim Santa Fé e trabalha como verdureiro.
No início, apenas quatro meninas que jogavam futebol. Depois, o time foi aumentando e hoje está com 25 jogadoras que moram nos jardins Marabá, Interlagos, Ideal e Santa Fé. Para prosseguir com o projeto, Flávio Gonçalves recebe a ajuda da Secretaria Municipal da Ação Social, que cedeu três jogos de uniforme e três bolas. Mas Gonçalves diz: Ainda é preciso mais apoio.





