Quem pensa que o Tiro de Guerra não é lugar para criança certamente não conhece o projeto ''Soldados da Bola'', desenvolvido pelo subtenente Carlos Alberto de Oliveira e pelo primeiro-sargento Sandro Loff dos Santos, em Londrina. Há quase um ano, o projeto recebe diariamente a visita de crianças e adolescentes com idades entre 8 e 14 anos.
No final de 2010, mais de 45 crianças frequentavam as atividades. ''Acredito que neste ano vamos ficar próximos de cem participantes. Retomamos os encontros este mês e já estamos vendo muitos rostos novos'', disse, animado, o subtenente.
Ele explicou que o projeto era realizado apenas durante a tarde, mas neste ano haverá atividades também pela manhã. ''Nosso objetivo é trabalhar no período que eles não estão na escola. Temos uma programação de segunda a sexta-feira. Terças e quintas eles jogam futebol, nos outros dias têm aulas de informática, palestras, aprendem elementos da vida militar e têm um dia reservado para cuidar da horta comunitária'', disse.
Também uma vez por semana, os alunos participam de ''aulas de civismo'', em que aprendem a cantar o Hino Nacional e valores como respeito, pontualidade e disciplina. ''Procuramos passar ideias que ensinamos no quartel. São atributos que valem para toda a vida, no projeto, na escola, em casa e futuramente na vida profissional'', lembrou.
O subtenente reconheceu que o futebol é o chamariz do projeto, mas para continuarem inscritas as crianças precisam comparecer todos os dias. Quando chegam à idade máxima os meninos são encaminhados para outras instituições que desenvolvem atividades no contraturno escolar.
Oliveira afirmou que os meninos foram ''adotados'' pelos militares. ''No ano passado eles desfilaram na nossa frente no 7 de Setembro'', destacou. O oficial conta que inicialmente a proposta era atender as crianças que moram no entorno do TG, mas os participantes acabaram trazendo amigos de outras regiões. ''Por conta disso hoje atendemos alunos de vários bairros'', lembrou.
Ele não descarta a participação feminina no projeto. ''Temos um número grande de meninos, mas as meninas também já demonstraram interesse. Neste ano acho que conseguiremos montar um grupo de meninas que também são bem-vindas'', disse.
O subtenente afirmou que o projeto oferece uniforme e todo o material para a prática das atividades - ''até os tênis e calções'', lembrou. ''As crianças não pagam nada, mas tudo isso tem um custo. O Tiro não tem recurso para bancar o projeto então a parceria com o Rotary Clube Aeroporto é fundamental para viabilizar as nossas atividades'', disse.

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