Futebol afasta das drogas meninos que moravam na rua
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quinta-feira, 03 de julho de 1997
Curitiba 
DivulgaçãoSebastião Lima: Quando ia jogar bola, comecei a perceber que não tinha fôlego. Aí eu resolvi parar com as drogasOs 17 meninos que participam do programa Formando Cidadão, que funciona no quartel da Polícia Militar no Tarumã, estão há cinco meses frequentando aulas particulares de futebol. As bolsas-auxílio para duas escolinhas foram cedidas com a intermediação da Federação Paranaense de Futebol. De acordo com os educadores, a prática do futebol já mudou de forma positiva o dia-a-dia dos adolescentes.
A esperança de se tornar um jogador de futebol profissional chegou antes do esperado para dois meninos - Sebastião de Lima, 16 anos e Robson Luis de Oliveira, 14 anos. Eles fizeram teste para a categoria de base do Operário Pilarzinho Esporte Clube e já estão treinando para o Campeonato Metropolitano de Futebol, que começa em agosto. Doze garotos estão na Escola Sport Olimpik Center e outros cinco adolescentes na escola do Clube Capão Raso.
Para o treinador do Clube Pilarzinho, Oldemar Miró Martins, os meninos têm apresentado um desempenho muito bom. Tenho a intenção de aproveitá-los na equipe titular que vai disputar o Metropolitano, mas tudo vai depender da dedicação que eles terão nos treinos. Quanto a disciplina eles são excelentes, mas precisam de mais tempo para terem mais técnica. As chances de serem titulares são de 90%, revela.
A história de vida do adolescente Sebastião de Lima, poderia ter tido o mesmo fim de muitos jovens que se envolvem com drogas, mas a possibilidade de transformar em realidade o sonho de ser jogador mudou seu destino. Fui para as ruas com oito anos porque não me dava bem com meu padrasto. Nas ruas me envolvi com drogas e com violência, mas os educadores me convenceram a ir para a Casa do Piá, conta.
Da Casa do Piá ele foi encaminhado para o programa Formando Cidadão. Estou no Formando desde o início, mas sempre tive uma paixão pelo futebol. No início eu ainda usava drogas, mas quando ia bater uma bola comecei a perceber que não tinha fôlego. Aí eu resolvi parar com tudo, sem ajuda de ninguém. Há dois anos eu não uso nada, nem cigarro comum eu fumo. Se quero ser um jogador, tenho que dar o melhor de mim, afirma.


