A ''1 Fusquiata'' - carreata de fuscas - movimentou Londrina durante a tarde de ontem. Cerca 40 amantes do carro chamaram a atenção das pessoas nas ruas enquanto desfilavam os vários modelos do automóvel, considerado um dos designs mais criativos até hoje. O evento foi organizado pelo Clube ''Volkstreet Londrina'', que reúne quinzenalmente os integrantes para encontros do grupo.
E se o primeiro modelo foi lançado no Brasil na década de 1950, muitos de seus donos nem pensavam em nascer. A grande maioria, jovens, que mantém os cuidados com o Fusca, assim como o técnico agrícola Luiz Alberto Romi, de 32 anos. ''Foi meu primeiro carro, há quase 9 anos. Mas hoje uso mais a passeio. É uma paixão que minha mãe passou para mim e agora passo para minha filha. Ela já até me pediu um fusca de brinquedo'', conta.
A mãe, Lídia Pezarini Romi, certamente deve ter sido vista pelas ruas da cidade com seu Fusca ''verde abacate''. ''Ando com ele todos os dias. Uso a trabalho mesmo'', diz. Somente com esse, ela já está há 9 anos. ''Mas são mais de 20 anos só de Fusca'', comenta ela, que já está em seu quinto carro e afirma não existir modelo melhor: ''não gasto muito com mecânica e não me deixa mão. É muito engraçado quando pego estrada e vejo aqueles carrões quebrados parados no acostamento.''
Outro aficionado pelo carro é o vendedor José Mario Vinhoto, que possui um Fusca Azul ano 76 em perfeitas condições e totalmente original. ''Essse carro foi comprado pelo meu tio zero quilômetro. Faz 18 anos que está comigo'', diz ele, que confessa passar os domingos cuidado do automóvel. ''Não tenho filhos, então, o Fusca é como se fosse um. A mulher fica brava de vez em quando'', brinca.
O carro, de tão bem cuidado, definitivamente, chama a atenção. ''Uma vez, fui parado numa blitz. O guarda se aproximou e imediatamente entreguei os documentos. Ele me disse que queria apenas ver o carro. Tive de abrir e mostrar o interior, o motor'', ri. E, para conservar o bibelô, ele não economiza cuidados. ''Se está chovendo, não saio. Evito ficar andando com ele diariamente para não correr o risco de bater também'', declara ele, que possui um adesivo no carro: ''Fusca não anda, desfila.''
E se o ambiente automobilístico é fortemente dominado pelo universo masculino, o do Fusca não é muito diferente. Porém, a fisioterapeuta Andressa Marques Strutz aumenta o rol de mulheres amantes do modelo. Dona de um Fusca branco, ano 79, com adesivos que fazem alusão ao ''Herbie'', do filme ''Se meu Fusca falasse'', ela também não passa despercebida. ''Quando tirei carteira, comprei o carro com um dinheiro que economizei. Desde então, invisto sempre nele. E uso no dia a dia'', orgulha-se ela, dizendo que seus pacientes adoram o carro.
Ao mesmo tempo em que muitas mulheres ficam enciumadas com os excessos dos maridos com os carros, o aposentado Elias Cézar parece ter tirado a sorte grande. Simplesmente ganhou de presente um Fusca ano 71 no último Natal de sua esposa. ''Há um ano me deu vontade de comprar um. Daí, ela me fez essa surpresa. Um dia chegou buzinando na rua; fiquei emocionado. Agora é o meu passatempo preferido.''
Serviço:
Mais informações: 9947-7514 (Valdiney Alves - coordenador do Clube Volkstreet)

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