Fuscas viram alvo de ladrões
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A história de meio século rodando por todas (todas mesmo) as estradas brasileiras fez o Fusca ganhar muito mais do que a simpatia dos motoristas e se transformar em um mito. Mesmo não sendo fabricado há mais de 15 anos, o carro continua chamando a atenção tanto para o bem quanto para o mal. É o que está ocorrendo em algumas pequenas cidades do Norte do Paraná, onde a Polícia Civil suspeita da existência de uma quadrilha especializada no furto e roubo do modelo.
Na última quarta-feira, a Polícia prendeu um jovem de 21 anos na PR-445, em Ibiporã (Norte). Ele foi surpreendido ao parar no acostamento no volante de um Fusca furtado em Sertanopólis. O comparsa dele, que conduzia outro carro da mesma marca e furtado também naquela cidade, conseguiu fugir do cerco se embrenhando em um matagal. Em Bela Vista do Paraíso, outros dois Fuscas foram furtados na semana passada e quatro pessoas foram presas. O delegado Paulo Gomes, responsável pelos dois municípios, observou que os veículos estavam bem conservados e provavelmente seriam levados para algum desmanche, para ter peças e latarias aproveitadas.
O delegado Marcos Belinati, de Ibiporã, registrou o flagrante e encaminhou o caso para a unidade onde ocorreu o crime, mas revelou que continua investigando a existência de uma quadrilha especializada com interesse específico neste modelo de veículo. ''O objetivo é prender os criminosos e encontrar quem está recebendo esses carros'', avisou o delegado.
Procura constante
Dono de uma oficina que está desde 1950 na Rua Amapá (Região Central de Londrina), o mecânico Luiz de Faveri apostou que a quadrilha é experiente. ''O motor é muito fácil de tirar e quem conhece faz isso sozinho em 20 minutos'', garantiu. Segundo ele, paralamas, lanternas, caixa de câmbio e alguns outros ítens também são facilmente removidos.
Nos ferros-velhos, a procura por peças é grande e constante. Há 29 anos no ramo, José Aldair Mota, afirmou que por semana recebe de 10 a 15 clientes procurando peças de Fusca: ''a maior parte vem atrás de motor e câmbio''. Ele disse que adquire os carros nos leilões do Detran. Na troca, o motor sai por volta de R$ 600 e a caixa de câmbio varia de R$ 150 a R$ 180. Como comparação, no mercado criminoso o motor é vendido por cerca de R$ 300.
O presidente do Custom Ride Volks Club de Londrina e dono de autoelétrica, Valdiney de Andrade Alves, confirmou que o Fusca é um carro procurado por marginais por ser simples de ser levado e com mercado garantido. ''Tenho um conhecido em São Paulo que foi na igreja e teve que parar o Fusca na rua. Quando voltou, o porteiro de um prédio disse ter visto um pessoal levar o carro com um guincho'', contou.
Mesmo assim, ele disse que o modelo pode receber praticamente todos os tipos de alarmes e travas, uma vez que os equipamentos atuais são compatíveis às diversas marcas e modelos e com instalações elétricas independentes.


